segunda-feira, 4 de março de 2013

Trabalhadores resgatados foram aliciados na Bahia dormiam no alpendre, dois foram picados por escorpiões e quatro estavam doentes.



Auditores-Fiscais do Trabalho do Grupo Especial de Fiscalização Rural – GEFIR da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Piauí – SRTE/PI realizaram ação fiscal na zona rural do município de Manoel Emídio, a cerca de 450 Km de Teresina, entre os dias 29 de janeiro e 5 de fevereiro. Lá encontraram, conforme denúncia recebida, 26 trabalhadores, entre eles um adolescente de 16 anos, em situação degradante de moradia, sem Carteira de Trabalho assinada ou qualquer outro tipo de proteção trabalhista. As condições de trabalho e moradia caracterizaram, segundo os Auditores-Fiscais, trabalho escravo, na modalidade degradante.  A atividade fiscalizada foi a produção de carvão vegetal. Os trabalhadores foram recrutados em Monte Alto (BA), a mais de mil quilômetros de distância. Eles chegaram no início de janeiro, trabalharam por poucos dias e estavam ociosos por causa de um desentendimento entre o empregador e o fornecedor de combustível. As atividades foram suspensas, mas nenhuma providência em relação aos trabalhadores foi tomada. Segundo os Auditores-Fiscais ficou caracterizada a terceirização ilegal da atividade-fim da empresa principal. O empregador que recrutou os trabalhadores declarou não ter empresa em seu nome e não tem condições de arcar com os custos trabalhistas de uma relação formal de trabalho.

Os alojamentos dos trabalhadores, segundo constatação dos Auditores-Fiscais do Trabalho, estavam em condições degradantes. Os colchões, sujos, estavam espalhados pelo chão e muitos estavam no alpendre, sem qualquer proteção lateral, sujeito a intempéries e ataques de insetos ou outros animais, por falta de espaço dentro da casa. Os trabalhadores relataram que dois foram picados por escorpião e os Auditores-Fiscais constataram que quatro deles tinham a saúde bastante debilitada e tossiam muito. O gerente da fazenda foi notificado para prestar assistência médica aos homens e eles foram conduzidos ao hospital municipal, consultados e medicados.

Os banheiros não funcionavam. Por causa disso, os trabalhadores usavam a mata ao redor para suas necessidades fisiológicas. Eles tomavam banho numa construção abandonada, sem telhado, com água de chuva acumulada, coletada num barranco. A água para beber era trazida de fora, de um poço artesiano distante cerca de sete quilômetros, em quantidade insuficiente e transportada em tambores impróprios em que se lia a inscrição “Não reutilizar esta embalagem”. Água para outras necessidades era coletada em barranco barrento. Não tinham equipamento de proteção para o corte das árvores nem para a queima do carvão.  A conclusão dos Auditores-Fiscais do Trabalho foi de que o empregador não cumpria uma série de procedimentos previstos na legislação trabalhista e em Normas Regulamentadoras, como a NR 31 – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura –, configurando “um total atropelo ao regramento mínimo de segurança e saúde, além de um desrespeito patente ao trabalhador enquanto pessoa humana”.

Os depoimentos dos trabalhadores, segundo os Auditores-Fiscais apontam indícios da prática do recrutamento ilegal e do aliciamento, pois, no momento da contratação, houve promessas de Carteira de Trabalho assinada, boas condições de trabalho e alojamentos, que não foram cumpridas. O aliciamento é crime previsto no artigo 207 do Código Penal. Vários deles demonstraram o desejo de voltar para casa, mas não tinham condições para fazê-lo. Os Auditores-Fiscais calcularam o valor das verbas rescisórias e o acerto foi feito na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais no dia 5 de fevereiro. O empregador providenciou o retorno deles à cidade de origem, com as despesas pagas. Eles receberão, ainda, o Seguro-Desemprego especial para trabalhadores resgatados do trabalho escravo.
O relatório de fiscalização foi encaminhado aos Ministérios Públicos Federal e do Trabalho, para que tomes as providências cabíveis a cada um.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Comissão vai reconhecer exploração sexual como trabalho escravo



A exploração sexual será reconhecida como forma de trabalho escravo contemporâneo pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), informou nessa terça-feira a ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário. Atualmente, a legislação que pune o trabalho em condições análogas a de escravo, trabalho forçado, jornada exaustiva ou trabalho em condições degradantes – prevista no Artigo 49 do Código Penal –, não menciona a exploração sexual, o que dificulta a ação da polícia e de outros órgãos responsáveis e a punição dos culpados, segundo a comissão.

A reportagem é de
Carolina Sarres e publicada pela Agência Brasil, 19-02-2013.

O Código Penal prevê penalidades para restrição da locomoção do trabalhador em razão de dívida, o cerceamento do uso de meio de transporte, a vigilância ostensiva ou a retenção de documentos com o objetivo de reter o empregado no local. No reconhecimento da exploração sexual pela Secretaria de Direitos Humanos, será citada a jurisprudência brasileira sobre o tema e normas da Organização Internacional do Trabalho (
OIT). O texto deverá ser elaborado ainda hoje e encaminhado aos membros da comissão até o final do dia.

“O reconhecimento por parte da Conatrae é um precedente importante para a mudança de olhar neste tipo de situação. A exploração sexual tem de ser considerada forma de trabalho escravo contemporâneo”, disse
Maria do Rosário.

A iniciativa da ministra foi apoiada pelo demais integrantes da comissão, composta por representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (
ANPT), do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre outros.

A decisão de reconhecer a exploração sexual como forma de trabalho escravo foi tomada em meio às descobertas de
casos na região das obras da Usina de Belo Monte, entre Altamira e Vitória do Xingu (Pará), na semana passada. De acordo com a ministra, o MPT constatou que as mulheres e adolescentes são do Paraná e foram transportadas até Altamira, onde chegaram com dívidas superiores a R$ 14 mil e sem os respectivos documentos.

Segundo a ministra, dez das 32 mulheres resgatadas pela Polícia Civil e pelos Conselhos Tutelares decidiram voltar aos estados de origem. Uma adolescente, menor de idade, foi incluída no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes (
PPCAN), pois a família tem histórico de violência e as autoridades consideraram mais adequado mantê-la no programa.

Na reunião da
Conatrae, também foi mencionada a lei estadual de São Paulo que estabelece que empresas flagradas explorando direta ou indiretamente mão de obra escrava serão fechadas por dez anos, por meio da cassação do registro do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). De acordo com o membro da comissão, Leonardo Sakamoto, especialista no assunto e jornalista da organização não governamental Repórter Brasil, o Rio Grande do Sul, o Maranhão e o Pará estão discutindo a possibilidade de aprovar leis semelhantes.

O Ministério Público do Trabalho calcula que uma empresa, no setor têxtil, deixa de gastar cerca de R$ 2,3 mil ao explorar o trabalhador, o que comprova a concorrência desleal em relação a outras empresas no mercado, estabelecendo o “dumping social” - a venda de um produto ou serviço abaixo do preço de mercado, neste caso, às custas da mão de obra.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

CAMPANHA PERMANENTE CONTRA OS AGROTÓXICOS E PELA VIDA.



A todas as organizações
e comitês que constroem a campanha.


Saudações a todas as companheiras e companheiros,
I. Conjuntura:Ainda estando no inicio de 2013 a luta contra os agrotóxicos já tem seus enfrentamentos, diante disso, é importante recuperar os elementos de análise em relação à atuação da Campanha no último período. Vejamos alguns elementos;
a) Em relação a nós:
· Tivemos uma boa construção e divulgação da campanha com a sociedade, possibilitada principalmente pelo Filme da Campanha, no entanto, existe uma deficiência em fazer o debate com nossa base, em especial com os camponeses e pequenos agricultores.
· Tivemos uma atuação ainda tímida em relação à atuação dos comitês junto às prefeituras locais e diferentes secretarias.
· Tivemos pouca produção de material e isso dificulta a massificação da campanha. Os estados devem se esforçar para garantir a reprodução dos materiais nacionais localmente para dar seguimento aos trabalhos.
· Existe a necessidade de massificar a campanha, construindo comitês e se aproximando dos sindicatos, das secretarias municipais de saúde e meio ambiente, bem como de prefeituras e câmaras de vereadores.
· Temos presença em 22 estados, mas de forma fragilizada em alguns deles. Portanto devemos aproveitar este momento para reorganizar os comitês e construir novos em locais estratégicos.
· A Campanha em nível de continente vem se consolidando e existe a definição da CLOC de apresentar a proposta de que a campanha se torne uma Campanha Mundial na Conferência Internacional da Via Campesina.
· Devemos avançar na relação entre agrotóxicos e transgênicos,
· Precisamos investir na articulação com municípios e na judicialização, nos articulando com Ministério Público e parlamentares,
· O Fórum Nacional de Combate aos Agrotóxicos dirigido pelo Ministério Público, vai centrar fogo na questão dos termos de ajustamento de conduta (TAC) junto a grandes redes de supermercado; A ideia é que possamos fazer parceiras com MPT para formar fóruns locais. Serão articuladas reuniões com governo para ampliar aos outros estados o programa de controle de receituário agronômico cruzado com emissão de notas fiscais de agrotóxicos, a exemplo do Paraná, além de orientar utilização do recurso de multas.
· Em linhas gerais, os comitês deram uma baixada nas atividades no final do ano. Precisamos definir tarefas concretas para próximo período em todos os estados, aproveitando esse momento de retomada das ações dos comitês. Outra demanda é seguir promovendo denúncias junto à sociedade, isso ajuda tanto na estruturação das ações dos comitês quanto no processo de denúncias.
b) Em relação aos inimigos:
  • Os principais inimigos são as empresas transnacionais e o agronegócio, que por sua vez estão atuando de forma diferenciada, onde quem bate de frente e faz a defesa escancarada dos venenos é a CNA, enquanto que as empresas e os contrabandistas atuam de forma silenciosa.
· As empresas tem conseguido atuar de forma bastante contundente dentro dos espaços institucionais do governo e isso tem acarretado algumas derrotas tais como a demissão do Luiz Claudio da Anvisa, o retrocesso da decisão do Ibama por pressão das empresas em relação aos agrotóxicos que estavam proibidos de serem pulverizados por avião em função de causarem morte de abelhas, etc.
· Uma das linhas de atuação adotadas pelas empresas é a de divulgação positiva do agronegócio, construindo grandes campanhas midiáticas.
c) Em relação ao governo:
· É um ator importante nesse cenário, no entanto como é característico de um governo de composição de classes, estão dadas diversas contradições internas em relação ao tema, de forma que temos aliados e inimigos. No entanto é importante destacar que nossos inimigos tem tido mais força dentro do governo.
· A proposta de criação do GT interministerial para tratar do tema“agrotóxicos” se transformou num grupo que esta pensando a construção de uma instância governamental de caráter parecido com o da CTNBio. Isso seria uma enorme derrota caso venha a se concretizar.
· A PNAPO (Politica Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica) esta avançando dentro do governo, mas é insuficiente como instrumento de massificação dos processos de transição para a agricultura sem veneno.
· Existe uma subcomissão que trata da segurança alimentar coordenada pelo deputado Padre João do PT-MG (que deve ter apresentado o relatório) e uma Frente Parlamentar de Agroecologia coordenada pela deputada Luci do PT-SC, tais espaço tem servido para manter o debate dentro da câmara. Já no senado o cenário é de domínio completo dos ruralistas que vem atuando direto da comissão de agricultura.
· A possibilidade de avanços esta nos municípios junto às prefeituras, conselhos, câmaras, etc.
· Enfim começam ser destinados recursos para a portaria que autoriza o repasse do Fundo Nacional de Saúde aos Fundos Estaduais de Saúde e do Distrito Federal, para o fortalecimento da Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos: R$ 23 milhões para monitoramento, estados prioritários – aprox. 1 milhão por estado para vigilância – necessária articulação nos estados para uso adequado do recurso. Precisamos voltar atenção para municípios habilitados (Villena/RO, Rorainópolis/RR, Sinop/MT, Primavera do Leste/MT, Rio Verde/GO, Limoeiro do Norte/CE).
d) Em relação a Mídia:
· Segue presente na mídia, ainda que em menor grau as denúncias das contaminações em água, pessoas, etc. O caso da ANVISA fez repercutir em vários jornais de circulação nacional o debate em relação aos agrotóxicos.
· Criamos algumas cisões entre a própria mídia, pois alguns meios têm garantido com apoio de alguns jornalistas a difusão do debate favorecendo-nos. O dossiê da Abrasco tem sido fundamental nesse processo de denúncias.
· O filme/documentário do Silvio Tendler ajudou muito na difusão da problemática com os meios de comunicação, sejam alternativos, ou mesmo da grande imprensa. Esperamos que o segundo filme sirva para tal, porém com ênfase nas alternativas.
II. Abaixo– Assinado: Este é um instrumento de luta importante que devemos dar peso neste período, portanto a orientação é que todos os comitês possam promover coleta de assinaturas do abaixo-assinado e enviar até o dia 15 de março para o endereço continho no rodapé do mesmo. A ideia é que a entrega do abaixo-assinado seja feita no Palácio do Planalto em uma atividade a ser promovida em parceria com a Frente Parlamentar de Agroecologia, na semana que vai do dia 01 a 07 de abril, em que a campanha comemora dois anos.
III. Aniversário da Campanha: No dia 07 de abril deste ano, nossa campanha comemora dois anos de existência e sendo assim a ideia é que possamos fazer da semana que vai de 01 a 07 de abril um momento de jornada nacional de lutas da Campanha. Por isso, a orientação é que desde já os estados possam ir organizando e definindo as atividades que farão nessa semana. Algumas sugestões que fazemos são:
Ø Organizar debates e palestras em escolas e universidades;
Ø Organizar atividades de panfletagem nas cidades, fazendo o contato corpo a corpo com a população nos bairros, postos de saúde, hospitais, etc;
Ø Articular para que durante a semana possam dar entrevistas nas rádios falando da problemática dos agrotóxicos e da agroecologia como alternativa;
Ø Fazer atividades de agitação e propaganda que possam dar visibilidade à campanha;
Ø Organizar seminários e cursos de formação, para subsidiar a militância com informações a respeito da problemática dos agrotóxicos;
Ø Organizar atividades de denúncias e atos de “esculachos” públicos em frente às empresas e escritórios, bem como em casas agropecuárias;
Ø Organizar audiências públicas junto a secretaria de saúde para tratar dos impactos dos agrotóxicos na saúde da população do município;
Ø Organizar apresentações públicas em praças e outros lugares populares com o Filme da Campanha;
O trabalho realizado pelos comitês locais e estaduais tem sido o principal instrumento de luta de nossa campanha, e sem dúvidas onde temos para o próximo período as maiores possibilidades de vitória, portanto são de extrema importância que nos estados e município possam buscar nos articular com os movimentos sociais existentes, parlamentares comprometidos, sindicatos rurais e urbanos, escolas e universidades, associações e grupos de produtores orgânicos e agroecológicos, artistas, centros de cultura, entre outros, para que possamos nesse primeiro semestre de 2013 já deixar claro que nossa campanha esta firme e atuante na luta contra os agrotóxicos e pela vida.
Parabéns a todos os comitês que tem conseguido se manter, afinal, uma luta tão difícil faz com que algumas pessoas desanimem no caminho, porém é a persistência daqueles que seguem que alimenta o ânimo de si mesmos e de tantas outras pessoas que se somam animados pelo exemplo de compromisso e perseverança.
Desejamos a todas as companheiras e companheiros um ótimo processo de retomada de lutas e de planejamento para 2013, e que possamos obter vitórias a partir da nossa capacidade de fazer enfrentamento a aqueles que não respeitam nem a vida humana nem o planeta.
Desde já agradecemos a todas e todos.
P/ Sec. Operativa Nacional
Cleber Folgado.


Setor de Documentação da CPT recebe o nome de Centro de Documentação Dom Tomás Balduino

Entre as comemorações dos 90 anos de Dom Tomás Balduino, recém completados em dezembro último, a CPT, organização cujo um dos fundadores foi o próprio Dom Tomás, homenageia o bispo dando o seu nome ao Centro de Documentação de Conflitos no Campo.
Nos dias 8 e 9 de dezembro, em evento realizado na cidade de Goiás em comemoração aos seus 90 anos, Dom Tomás havia recebido da CPT Nacional, a placa que daria o seu nome ao Centro de Documentação da CPT. No dia 8 de fevereiro, última sexta feira, o setor de documentação da Pastoral da Terra recebeu, oficialmente, a placa comemorativa e o novo nome, que passa a ser Centro de Documentação Dom Tomás Balduino.
O bispo emérito da cidade de Goiás e conselheiro permanente da CPT, esteve presente ao ato, assim como o presidente da entidade, Dom Enemésio Lazzares, e os membros da coordenação nacional da CPT, Isolete Wichinieski, Flávio Lazzarin, Jane Silva e Edmundo Rodrigues.
Foi lembrado, na ocasião, o exemplo de resistência e de luta de Dom Tomás, durante anos a fio, para garantir os direitos dos trabalhadores do campo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

28 de Janeiro Dia Nacional de Luta contra a Escravidão

O Dia nacional de Combate oa Trabalho Escravo foi instituido após a  Chacina de Unaí. Há nove anos, três auditores fiscais de trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho foram assassinados durante uma fiscalização em fazendas da cidade mineira de Unaí, distante 160 quilômetros de Brasília. Até hoje, a Justiça não conseguiu concluir o processo.
O caso motivou as autoridades a instituírem a data de 28 de janeiro como o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Várias manifestações populares vêm sendo realizadas neste dia ao longo dos últimos anos, organizadas pela população e, principalmente, por profissionais que atuam direta ou indiretamente no combate à este tipo de condição ilegal de trabalho.
Em Belo Horizonte, no início da tarde de segunda, será realizado um Ato Público pelo julgamento dos acusados da Chacina de Unaí, em frente ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O mesmo protesto deve ser realizado em todos os estados em frente às Superintendências Regionais do Trabalho de cada capital, organizados pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) e Associação dos Auditores-Fiscais do Trabalho de Minas Gerais (Aafit-MG).
A reivindicação pela conclusão do processo de Unaí é prioritária na agenda de manifestações anuais, mas o caso ainda parece estar longe de uma solução. Nos últimos dias, a juíza substituta da 9ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, Raquel Vasconcelos Alves de Lima, decidiu remeter o julgamento da Chacina de Unaí para a Vara Federal da cidade onde o crime ocorreu. A Procuradoria da República vai recorrer para reverter a decisão. A crítica ao julgamento em Unaí é a de que os principais réus do caso gozam de grande influência política e econômica na cidade.
No mesmo dia em que os protestos estão previstos, a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) vai ser reunir novamente na capital mineira para discutir o caso. A comissão foi criada há dez anos para coordenar as ações do Plano Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e acompanhar a tramitação de projetos de lei no Congresso Nacional sobre o tema.

Mais de 2 mil Trabalhadores são libertados da escravidão em 2012



O Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encerrou o ano de 2012 contabilizando a libertação de 2.094 trabalhadores de condições análogas à escravidão. Os resgates ocorreram em 134 estabelecimentos, entre fazendas, carvoarias, canteiros de obra, oficinas de costura e outros, conforme levantamento feito com base em informações sobre operações de resgate (clique aqui para baixar os dados referentes às operações de 2012 e dos anos anteriores).

Gado no Pará, onde a Amazônia está sendo substituída por pastos (foto: Verena Glass)
Apesar da dificuldade de identificar com precisão as atividades de todos os estabelecimentos flagrados, a partir dos registros na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae, instrumento de padronização de códigos de atividades econômicas utilizado pelos diversos órgãos de administração tributária do país) é possível estimar que o padrão detectado nos anos anteriores se manteve em 2012: a pecuária apresentou, de longe, o maior número de resgates de trabalhadores escravos, seguida por atividades ligadas ao plantio e extração de madeira e pelo carvão. Ou seja, 56 libertações ocorreram em fazendas de criação – ou com registro de criação – de gado, 21 em empreendimentos de plantio (ou com registro) de eucalipto, pinus e exploração de madeira, e 16 em carvoarias.
Estabelecimentos flagrados com escravos em 2012
1. Pará (PA) ………………..34
2. Tocantins (TO) ………….16
3. Goiás (GO)………………..9
4. Amazonas (AM)…………..8
Mato Grosso (MT) ……….8
Maranhão (MA)…………..8
Piauí………………………..8
8. Paraná (PR)……………….7
São Paulo (SP)…………..7
10. Minas Gerais (MG)……..6 11.Bahia……………………….5
Mato Grosso do Sul (MS).5     Santa Catarina (SC) ……5
14. Espírito Santo (ES) …….2
Rio de Janeiro (RJ)………2
Rio Grande do Sul……….2
Rondônia………………….2
Outro setor que teve número significativo de casos de trabalho escravo foi a sojicultura. Ao mesmo tempo em que a área de soja plantada em terras recém-desmatadas na Amazônia saltou de 11,69 mil ha para 18,41 mil ha na safra 2011/2012 (um aumento de 57%) de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, em 2012 o Grupo Móvel resgatou 144 trabalhadores em 10 fazendas de soja ou com registro de produção do grão.
O Pará é o estado em que mais operações foram realizadas e onde aconteceram mais flagrantes, conforme tabela ao lado.
Casos emblemáticos
A libertação recorde de 2012 ocorreu no setor do carvão, e envolveu três das maiores siderúrgicas do Pará. Em março, o Grupo Móvel resgatou 150 pessoas de duas carvoarias em Novo Repartimento, que abasteciam as siderúrgicas Sidepar, Cosipar e Ibérica. De acordo com a fiscalização, os trabalhadores desmatavam a região ilegalmente para fabricar o carvão, e a operação acabou descobrindo um esquema de crimes ambientais, emissão de notas fiscais falsas e até ameaças a trabalhadores. Foram lavrados 21 autos de infração e um processo contra as três siderúrgicas, mas, como as empresas formaram um consórcio, a fiscalização responsabilizou a Sidepar pelo crime de escravidão.
Outra siderúrgica autuada por prática de trabalho escravo foi a Viena, de Darcinópolis, também no Pará. No final de outubro, uma fiscalização libertou 89 pessoas que trabalhavam no corte de eucalipto e produção de carvão na fazenda Vale do Canoa III, de propriedade as siderúrgica. De acordo com os fiscais, os trabalhadores viviam em condições péssimas de higiene, não tinham energia, água potável, banheiros, área de vivência, transporte adequado, nem equipamentos de proteção individual.
Uma das maiores produtoras e exportadoras de ferro-gusa do Brasil, a Siderurgica Viena – que também é dona da Fazendas Reunidas Agroindustrial, em Pirapora (MG), e da marca de cachaça Pirapora – exporta, segundo informações de seu site, para os mercados europeu, asiático e estadunidense. Tanto a Viena quanto a Sidepar são signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo e podem ser suspensas devido aos flagrantes.
A segunda maior libertação ocorreu na única usina de cana flagrada com trabalho escravo no ano passado. Em setembro, a fiscalização do MTE e do Ministério Público do Trabalho resgatou 125 trabalhadores da usina Sabaralcool S/A Açúcar e Álcool, em Perobal, no Paraná, de uma situação descrita como “grave demais”. Contratados pelos chamados “gatos” (intermediadores de mão de obra), trabalhadores da Bahia, Pernambuco e Maranhão foram submetidos a péssimas condições de alojamento, transporte e alimentação, eram obrigados a comprar seus próprios instrumentos de trabalho, a contrair dívidas com os contratantes e o comércio local e a trabalhar aos domingos, não tinham descanso mínimo de uma hora durante as jornadas de trabalho, e não tinham o menor controle sobre o pagamento.
A Sabaralcool, que detém o selo de “empresa Amiga da Criança”, pertence à família do empresário Ricardo Albuquerque Rezende, falecido em março último. Rezende havia sido presidente da Associação Paranaense dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar) por três mandatos e, antes de sua morte, ocupava o posto de vice-presidente da entidade. Também foi diretor do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). De acordo com a fiscalização, a usina já havia sido notificada por problemas trabalhistas em 2007, ano em que foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta. A situação encontrada em 2012, além de muito grave, se caracterizou como “fraude deliberado do TAC”, afirmaram os fiscais.

Mulher grávida trabalhava da Sabaralcool, usina que tem o selo empresa Amiga da Criança. Foto: Divulgação/MTE
Setor têxtil
No setor de vestuário, em 2012 foram libertados 32 trabalhadores que costuravam para as grifes Gregory e Talita Kume  e para a confecção WS Modas Ltda (fornecedora da Gregory e dona da marca Belart). Dada a notoriedade das marcas, estes resgates tiveram grande repercussão na opinião pública. Na semana em que foi divulgada a ligação da Gregory com exploração de trabalhadores, dezenas de pessoas se manifestaram protestando na pagina do Facebook da empresa – que, assim como Marisa, Pernambucanas e Zara, autuadas por trabalho escravo em anos anteriores, foi convocada para depor em oitiva na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo. Já a Talita Kume se apressou em incluir em seu site uma página onde promete cumprir normas trabalhistas.
Jovem costurava para Gregory com filho recém-nascido no colo. Foto: Bianca Pyl
Já no setor de construção civil, 136 operários foram resgatados em fiscalizações nas empresas Racional Engenharia Ltda (trabalho na ampliação do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na região da Avenida Paulista) em São Paulo, Construtora Croma Ltda (obras de um conjunto habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo – CDHU) em Bofete (SP), Construtora Central do Brasil (obras da duplicação da rodovia federal BR-060, projeto do PAC) em Indiara (GO), e Brookfield Centro-Oeste Empreendimentos Imobiliários, em Goiânia. Além disso,12 trabalhadores foram libertados na fazenda de João Pedro Pereira, em Barra do Piauí (PI), onde construíam instalações na propriedade.
Outros dois casos de 2012 receberam destaque por envolver as famílias da senadora Kátia Abreu (PSD-TO) – cujo irmão, André Luiz de Castro Abreu, foi apontado pela Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins como co-proprietário da Fazenda Água Amarela (plantio de eucalipto e produção de carvão), onde foram resgatados 56 trabalhadores -, e do banqueiro Daniel Dantas – cuja irmã, Verônica Dantas, e ex-cunhado, Carlos Bernardo Torres Rodenburg, são proprietários da Agropecuária Santa Bárbara, em São Felix do Xingu (PA), onde foram libertados quatro trabalhadores.
Por fim, vale relembrar ação realizada em agosto na fazenda de gado Alô Brasil, em Marabá (PA), que foi acompanhada por quatro deputados da CPI do Trabalho Escravo e resultou na libertação de oito trabalhadores. Na ocasião, o deputado federal Giovanni Queiroz (PDT/PA), integrante da bancada ruralista (que costuma contestar a existência de trabalho escravo no país) considerou a situação “vergonhosa, constrangedora”.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

56 empregadores são incluídos na atualização da "lista suja" do trabalho escravo

Atualização é marcada por volta da construtora MRV, uma das maiores do país, e pela inclusão de pecuaristas envolvidos no desmatamento da Amazônia

Por Anali Dupré, Daniel Santini, Guilherme Zocchio, Maurício Hashizume, Stefano Wrobleski e Verena Glass


Avanço da pecuária na Amazônia marca atualização da "lista suja" Foto: Verena Glass
Foi divulgada na última sexta-feira, 28 de dezembro, a atualização semestral do cadastro de empregadores flagrados explorando pessoas em situação análoga à de escravos, a chamada "lista suja" do trabalho escravo. Mantida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), a relação é considerada uma das mais importantes ferramentas na luta pela erradicação da escravidão contemporânea no Brasil. Ao todo, 56 empresas e pessoas físicas foram incluídas nesta atualização, marcada pela reinserção da construtora MRV, uma das maiores do país.

Leia também:
A atualização evidencia a relação entre superexploração de trabalhadores, violações de direitos e devastação ambiental. Chama a atenção o número de inclusões de pecuaristas e de envolvidos na produção de carvão, dois setores em que flagrantes de escravidão têm sido recorrentes nos últimos anos. Como nas últimas atualizações, nesta também entraram políticos. Desde de a atualização do cadastro, a Repórter Brasil produziu quatro reportagens especiais (clique nos links ao lado) e um mapa com informações detalhadas de todas as novas inclusões.
A lista tem especial importância porque serve como parâmetro para bancos na avaliação de empréstimos e financiamentos e para empresas na contratação de fornecedores. As signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, acordo que reúne alguns dos principais grupos econômicos do país, comprometem-se a não realizar transações econômicas com os empregadores que têm o nome na relação.
A relação também pode servir como base para cassação de registro de empresas em São Paulo. Uma lei prevendo punições aos escravocratas modernos foi aprovada recentemente na Assembleia Legislativa de São Paulo. Após ser sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), a lei precisa ser regulamentada e o cadastro oficial deve ajudar a definir as restrições no estado. Antes de serem incluídos no cadastro, todos têm chance de se defender em um processo administrativo.
Além da atualização, também foram divulgadas as exclusões da "lista suja". São empregadores que permaneceram por dois anos na relação, quitando débitos trabalhistas e cumprindo todas obrigações previstas na lei. Com as inclusões e exclusões, a relação tem agora 410 nomes.

Escravo libertado em carvoaria em Goiás Foto: SRTE/GO
Confira abaixo as inclusões e exclusões da atualização divulgada:
Inclusões e Exclusões da "Lista Suja" do Trabalho Escravo
Entraram em 28/12/2012

Ademir Furuya    311.073.381-15
Adolfo Rodrigues Borges    013.202.708-91
Agro Mercantil Baseggio Ltda    83.507.137/0001-64
Agropecuária Pôr do Sol Ltda - ME    00.198.189/0001-79
Ambiental Paraná Florestas S. A.    76.013.937/0001-63
Ana Salete Miotto Lorenzetti    369.643.879-00
Antônio Carlos Françolin    627.916.998-72
Antônio Roberto Garrett - ME    13.627.789/0001-57
Carvan Indústria e Comércio de Carvão Vegetal Ltda - ME (PLANTERRA Comercial Ltda - EPP)    04.185.934/0001-04
CIFEC Compensados da Amazônia Ltda    04.470.498/0001-07
Cleiva Alves da Silva - ME    04.598.076/0001-11
Complexo Agroindustrial Pindobas Ltda    28.477.313/0010-45
Conrado Auffinger    294.843.919-15
Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro Ltda - COAGRO    05.500.757/0001-68
Coracy Machado Kern 084.221.251-53Décio Pacheco & Cia Ltda    76.986.702/0001-58
Dilcelani Silva do Prado    985.730.801-59
Edilson Lopes de Araújo    967.023.704-15
Elizeu Sousa da Silva    698.837.183-49
Emídio Nogueira Filho    661.389.738-87
Ervateria Giotti Ltda – EPP (Giott e Basi Ltda EPP)    03.744.353/0001-94
Ervino Gutzeit    009.180.752-20
Francisco Gil Cruz Alencar – EPP    05.633.466/0001-48
Geraldo Otaviano Mendes    909.298.296-20
Gilberto Afonso Lima de Moraes    508.651.372-34
Green Ambiental Projetos e Execuções Ltda – ME    03.399.173/0001-12
Hélio Duarte Soares    044.549.318-60
Jairo Luiz Alves    035.734.866-49
José de Paula Leão Junior    745.499.798-87
José Essado Neto    015.866.531-72
José Gonçalves Rolo    368.166.398-04
José Pereira Barroso    163.045.602-06
José Queiroz    004.699.636-20
Josué Agostinho da Silva    045.162.494-72
Liro Antônio Ost    163.090.060-53
Luiz César Costa Monteiro    319.833.161-72
Luiz Ney de Lima    523.463.742-53
Marcelo Kreibich    430.066.711-04
Marcos André Mendes de Castro    627.682.202-72
Marcos Nogueira Dias    066.315.332-87
Markus Josef Dahler    035.394.498-09
MRV Engenharia e Participações SA    08.343.492/0002-00
Obiratan Carlos Bortolon    445.452.319-34
Onivaldo de Oliveira Paracatu    450.490.501-97
Priscilla Bressan Bagestan    015.780.849-11
Renato Sérgio de Moura Henrique    989.028.061-20
Ronaldo Rebert de Menezes – ME    09.036.764/0001-01
Rubens Ramos de Moura    001.705.931-34
Rubens Roberto Rosa    955.424.858-04
Selson Alves Netto    159.949.706-97
Sigma Florestal Indústria e Comércio Ltda - EPP    08.259.718/0001-09
Tárcio Juliano de Souza    654.016.702-49
Transportadora M G Ltda – ME    22.715.262/0002-56
Valdemar Osvaldo Gonçalves    209.518.689-34
Welson Albuquerque Ribeiro Borges    448.935.741-91
Wester Gude Butzke    714.761.992-72

Clique aqui para conferir mapa com a localização de todos os flagrantes
Saíram em 28/12/2012
Ademar Teixeira de Barros    193.494.086-00
Agroflorestal Tozzo S/A    02.298.006/0002-01
Agropecuária São José Ltda.    03.141.488/0001-65
Airton Fontenelle Rocha    026.711.583-00
Airton Rost de Borba    336.451.750-91
Antônio Assunção Tavares    049.302.073-04
Antônio Luiz Fuchter    138.445.129-34
Ari Luiz Langer    300.237.779-15
Bioauto MT Agroindustrial Ltda.    08.645.222/0002-54
Cleber Vieira da Rosa & Cia. Ltda.    09.025.835/0001-70
Dario Sczimanski    026.596.899-20
Diego Moura Macedo    992.103.803-63
Dissenha S/A-Indústria e Comércio    81.638.264/0007-62
Edésio Antonio dos Santos    130.382.903-78
Elcana Goiás Usina de Álcool e Açúcar Ltda.    08.646.584/0001-89
Ervateira Regina Ltda.    84.585.470/0001-54
Espedito de Bertoldo Galiza    066.925.083-04
Esperança Agropecuária e Indústria Ltda.    06.385.934/0008-41
Fabiano Queiroz    876.184.946-49
Isaías Alves Araújo    257.529.951-91
João Ribeiro Guimarães Neto    127.367.591-68
Madecal Agro Industrial Ltda.    83.053.777/0002-22
Manoel Luiz de Lima    117.134.109-15
Nelcimar Borges do Prado    039.738.081-04
Nivaldo Barbosa de Brito 291.805.382-15
Roberto Sebastião Pimenta    223.128.116-34
Sebastião Levi de Carvalho    011.690.681-20
Valdivino Barbosa da Silva    268.106.702-20
Valtenir João Rigon     680.445.349-20
Von Rommel Hofmann Peixoto    001.693.997-29
Wanderley Rabelo de Andrade    376.882.436-53
Clique aqui para consultar a lista completa atualizada 
 Veja abaixo reportagens sobre atualizações anteriores:
Atualizações anteriores
Confira o histórico completo da "lista suja"*
Setembro de 2005 - Lista suja de empregadores aos olhos de todos
Novembro de 2005 - Ex-prefeito de Santos é incluído na 4ª atualização
Julho de 2006 - Senador Ribeiro e acusado de matar Stang na lista
Dezembro de 2006 - Libertação recorde está na nova "lista suja"Dezembro de 2006 - Libertação recorde foi inserida por equívoco
Julho de 2007 - Nova "lista suja" inclui pela primeira vez AM, CE e SC
Dezembro de 2007 - Atualização traz reincidentes e grandes empresas
Julho de 2008 - Pecuaristas, usineiros e carvoeiros entram na lista
Dezembro de 2008
- Juiz e proprietários em dez estados na lista
Julho de 2009 - "Lista suja" adiciona produtores da fronteira agrícola
Dezembro de 2009 - Cosan e mais 11 entram para a "lista suja"
Julho de 2010 - Governo divulga atualização da "lista suja"
Dezembro de 2010 - "Lista suja" inclui 88 novos empregadores
Julho de 2011 - Com 48 inclusões, "lista suja" chega a 251 registrosDezembro de 2011 - Atualizada, "lista suja" chega a 294 nomesJulho de 2012 - MRV e empregadores ligados à política entram na lista




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