quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

PI: Governo anuncia medidasde combate ao trabalho escravo

29/01/2011 14:22 - Fonte: CCOM/PI - Edição José Afonso Jr
O Piauí dá novos passos no combate ao trabalho escravo. No final da manhã desta sexta-feira (28), o governador Wilson Martins recebeu no Palácio de Karnak representantes do Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Escravo, uma audiência solicitada pelo secretário da Assistência Social e Cidadania – Sasc, João de Deus Sousa.
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Durante o encontro, foi apresentada uma carta com reivindicações, entre elas, um plano estadual de combate à grilagem de terras e o fortalecimento do projeto Educar para Libertar.

Wilson Martins disse ser favorável aos pontos apresentados e destinou a Sasc como “porta de entrada” para o atendimento às reivindicações do Fórum. Dando resposta positiva a uma das propostas, o governador determinou que a Secretaria de Governo e a Procuradoria Geral do Estado trabalhassem um decreto para punir os “fichas sujas” com a perda de incentivos. Quanto ao combate à grilagem de terras, explicou que já faz parte do plano de metas, reconhecendo as dificuldades de fiscalização.

“Fechamos uma parceria com o Tribunal de Justiça para a criação de uma Vara Agrária para atender as necessidades específicas deste setor. Quanto ao projeto Educar para Libertar, devo informar que estamos trazendo para o Piauí uma experiência revolucionária. Trezentas salas de aula de escolas de ensino médio serão equipadas com recursos tecnológicos para cursos profissionalizantes on line”, explicou o governado, e autorizou a representante da Secretaria de Educação a inserir o projeto educacional levado pelos representantes do Fórum.

O secretário da Sasc defendeu a parceria com o Governo Federal para implantação do Sine Rural de Floriano, um projeto que conta com recursos no Ministério do Trabalho. A ideia, segundo João de Deus, é que o órgão possa qualificar e intermediar a mão-de-obra para contratação de empresas.

“Assim, estaremos evitando o intermediador, aquele que vai aos municípios e busca essa mão- de-obra que termina sendo obrigada a trabalhar em condições de escravidão. Queremos com isso qualificar e manter um banco de dados atualizado para que as empresas tenham todas as informações na hora de contratar. Importantes passos já foram dados no combate ao trabalho escravo no Piauí, tanto que saímos da segunda colocação em 2003 e agora ocupamos o sexto lugar. Avançamos, mas ainda é preciso fazer muito mais para tirar os trabalhadores de uma situação humilhante como essa”, disse.

Representando a Federação dos Trabalhadores na Agricultura – Fetag - PI, José Simão reconheceu que o combate ao trabalho escravo no Piauí avançou nos últimos anos e ressaltou a importância da integração entre todos os níveis de governo, destacando que as ONGs e instituições de classe têm colaborado fazendo denúncias e cobrando ações do poder público. Ele disse ainda que a audiência com o governador Wilson Martins é uma vitória, na medida em que entregaram suas reivindicações e há abertura para atender alguns pontos.

Além da Sasc e Fetag, participaram do encontro as Secretarias de Governo, Trabalho, Educação, Diretoria de Direitos Humanos, Pastoral da Terra, Pastoral do Migrante e Rede Um Grito pela Vida.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Oficina sobre Tráfrico de Pessoas, Trabalho escravo e gênero. Assentamento Paulo Freire


Oficina sobre Trabalho escravo e relações de Gênero

Assentamento Paulo Freire, Pio IX 28 e 29 de janeiro de 2011.

Assessoria Francisco Alan e Roselei Bertoldo.

Objetivo. Sensibilizar a comunidade sobre a realidade do trabalho escravo – tráfico de pessoas e a relações social de gênero.

Foi um dia marcado por sensibilização, estudo sobre a temática do tráfico de pessoas, trabalho escravo e gênero.

A comunidade toda participou com muito entusiasmo e preocupação sobre a realidade que é vivenciada na região, onde tem com muita frequencia saida de trabalhadores para outras regiões.

Três trabalhadores e uma trabalhadora relatou a experiência de serem vitimas do trabalho escravo no Pará.

No intervalo da oficina, foi realizado um muitrão de visita as casas da comunidade com entrega de panfletos e distribuição dos cartazes.







Mobilização dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo no Piaui.















No dia 28 de janeiro, a CPT juntamente com o Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Escravo realizaou a mobilização na Avenida Frei Serafim, centro de Teresina. Durante toda manhã foram distribuidos panfletos sensibilizando a população sobre a realidade do trabalho escravo no Piauí - Brasil.
Foram distribuidos mais de 4.000 panfletos a população.

Na mesma senama aconteceram diversas atividades, duas entrevistas nas rádios locais, divulgação nos espaços de comunicação, tv e portais, audiência pública com o governador Wilson Martins.














Entrevista a TV Clube.















Coleta de assinatura da PEC438/2001
e CNBB sobre a CF sobre o Tráfico de Pessoas.














Distribuindo panfletos a população
















segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Entidades do Fórum Estadual de Enfretamento ao Trabalho Escravo entregam Carta Manifesto ao Governador do Piauí.







































CARTA-MANIFESTO

DIA NACIONAL DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO

28 DE JANEIRO/2011

O Piauí tem muito que indignar-se neste dia! Enfrenta, Piauí!

O trabalho escravo nunca esteve tão presente em nosso Estado, nestes últimos anos, como agora. E, uma das formas mais graves de sua manifestação, temida, vem acontecendo com o alastramento de empresas de carvoarias, sojicultura, agropecuárias, construção civil, siderúrgicas, grupos econômicos poderosos, nacionais e internacionais, do ramo do agronegócio, explorando degradantemente seres humanos e as riquezas naturais no Piauí.

Antes visto como um dos Estados mais aliciados no Brasil, pelo grau de pobreza, exclusão social e ausência de políticas públicas na ‘exportação’ de trabalhadores para outras regiões. O Piauí, hoje, depara-se com um fenômeno inaceitável que é a prática análoga a de escravo em nosso próprio Estado, explorando trabalhadores piauienses e de outros Estados. Na maioria das vezes, por empresários da região Sul e Sudeste do país, que devastaram suas regiões e vêm lucrar facilmente em território piauiense.

Desde então, permite avaliarmos a condução histórica administrativa pública da Nação no tratar este grave problema de dignidade humana por outro viés: a mutilação que passa milhares de cidadãos brasileiros, piauienses pelas conseqüências da ausência e/ou da não-efetividade de políticas públicas responsáveis pelo resgate freqüente de pessoas livres, em regimes de semi escravidão, num país que oficialmente aboliu a escravidão em 1888. O que nos torna combativos e da qual circunstância não toleramos. Cabe a nós mencionarmos que isto nada mais é do que o reflexo de um modelo obsoleto que ainda impera nas mentes monárquicas, capitalistas, empresariais, políticas, do lucro pelo lucro, do poder pela omissão, em silenciar-se, na abertura para a impunidade, corrupção, jogo de conivência, no prevaler do autoritarismo e da falta de diálogo. Tudo que não é permitido num país democrático, livre, construtivo, propulsor das mudanças à população.

Portanto, a banalização de todos os fatores acima colocados, somado a isso o ato de negarmos os problemas e sermos alheios a toda essa situação, faz do Piauí, objeto, nas mãos daqueles que chegam e, tem seu domínio, com a liberdade para avançarem seus empreendimentos internacionais a todo custo, sabendo que nas nossas terras nativas e improdutivas, o controle e a fiscalização não perseveram.

Mas, preso e resistente mesmo é o nosso povo, que vive e convive com as amarras e armadilhas que se deparam, procurando a solução em suas dificuldades. O trabalho escravo é uma das fugas dela, assim como outras graves violações a que são expostos. O trabalho infantil, a exploração sexual de crianças e adolescentes, as drogas, a criminalidade, a prostituição. Entre o limite da sobrevivência e a dependência política, econômica encontradas nas desigualdades sociais.

O Fórum como instância constituída, firmemente, manifesta-se contrária aos absurdos diariamente propagados na disseminação desses conflitos sociais e no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, 28 de janeiro, protesta contra toda essa sujeição criminal que rebaixa nosso Estado, colocando-o na 6ª posição na LISTA SUJA (www.mte.gov.br) de empregadores e chega ao dobro da inclusão de empresas instaladas no Piauí, no ano de 2011, em relação ano passado, em 10 (dez) empresas com 316 (trezentos e dezesseis) trabalhadores resgatados. (como MOSTRA O MAPA DO TRABALHO ESCRAVO NO PI – imagem 01).

Portanto, defendemos a ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO em todas suas formas cruéis e intoleráveis aos trabalhadores piauienses, nesta CARTA-MANIFESTO, em caráter contestador, reivindicamos medidas urgentes aos responsáveis públicos do nosso Estado:

REIVINDICAÇÕES DO FÓRUM DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO DO PI:

*A punição dos envolvidos em trabalho escravo, dos contratantes abusivos aos trabalhadores sejam rurais e urbanos; Proibição da Administração Pública na contratação de serviços por estes empregadores e suspensão de benefícios fiscais, o que confere na Lei Estadual N°5677/07, para que esta lei vigore nos municípios em situação de aliciamento e prática de mão de obra escrava no Estado do Piauí;

*A criação do Plano de Combate Estadual à Grilagem de Terras do Piauí, considerando que a grilagem de terras inviabiliza e atrasa a Reforma Agrária, sacrificando a terra e a população para a produção de monoculturas (soja, eucalipto,carvão, etc.);

*Em crimes ambientais, a punição e exoneração de pessoas em cargos públicos envolvidos em desmatamento nas terras legais, ilegais do Estado para não investimento sustentável das riquezas do Estado transportadas para outras regiões, famigerando a população piauiense e submetendo trabalhadores a condições análagas a de escravo, degradantes e aos riscos à saúde e segurança no trabalho. Então, medidas severas devem ser tomadas, no fechamento destas carvoarias clandestinas e de tantas outras culturas que agridem os BIOMAS locais;

*A atualização de gestores com lisura na vida política e comprometimento à frente dos órgãos para mantimento de caráter e dever institucional, para que não sejam vistos com descrédito pela população, que se adote na gestão pública os mesmos princípios norteadores do projeto Ficha Limpa, a fim de moralizar a gestão e que possam assegurar resolutividade nas questões ambientais, sociais, de reforma agrária e trabalhista no Estado;

* Descentralização de serviços públicos de órgãos federais, estaduais, com equipes de profissionais qualificadas, próximas à região Sul do Estado, para fiscalização ao trabalho escravo, à devastação ambiental, previdenciário com investimento em estrutura orçamentária/pessoal, já que a região é precária em vários serviços de cobertura à população pelo distanciamento da capital. Criação de postos de Agência do Trabalho, do INSS na cidade de Uruçuí, bem como, de núcleos do IBAMA, do INCRA e da SEMAR, SEGURANÇA ostensiva com pessoal qualificado/equipado no atendimento à região;

*Revisão na destinação de investimentos públicos do Estado à política do agronegócio em detrimento aos pequenos agricultores, rendendo milhares de produtores rurais e familiares à migração forçada e trabalho escravo no Piauí e fora dele.

* Questão Trabalhista: O PI foi contemplado em Programa Federal pelo Projeto Marco Zero (2008), com o 1º SINE RURAL, em Floriano e, observamos, o andar a passos lentos no Estado. Trabalhadores em todo Estado do Piauí, prejudicados em seus direitos trabalhistas, à margem e passíveis de propostas informais, aliciadoras da submissão ao trabalho forçado. Contigente humano maior suscetível ao trabalho escravo do que acordos trabalhistas satisfatórios e funcionamento dos órgãos ágil no atendimento aos cidadãos. O desemprego e o descumprimento trabalhista são realidades em todo o PI. Providenciar estrutura e agilidade no serviço dos SINEs Urbanos e Rural no Piauí;

*Criação de um CENTRO DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL às vítimas do trabalho escravo e/ou degradante no Piauí e trabalhadores vulneráveis, numa gestão compartilhada pelos órgãos públicos SASC, SETRE, SEDUC, SRTE, SINE, SEAD) e sociedade civil organizada;

*Pesquisa a ser realizada pela Fundação Cepro/Governo do Estado para diagnosticar a realidade dos trabalhadores vulneráveis ao trabalho escravo no Estado do Piauí;

*Na área da prevenção ao trabalho escravo, que sejam investidos recursos para execução do Projeto Educar para Libertar nos municípios autuados de aliciamento e alvos de trabalho escravo executado desde 2008 no Estado do Piauí;

*Que o Governo do Estado promova Campanhas Estaduais de Prevenção ao Trabalho Escravo através da CCOM, abordando os riscos do mesmo e alertando a população para reconhecimento e encaminamento de denúncias;

*Qualificação profissional permanente pela Secretaria Estadual do Trabalho e Empreendedorismo e criação de um Plano Estadual de Qualificação Profissional e de Oportunidades de Geração de Trabalho e Renda no PI, com a convocação da sociedade civil para monitoramento de tais ações.

*Solicitamos ao Exmo. Governador do Estado do Piauí e aos parlamentares federais do Piauí que haja empenho em aprovar a PEC 438/2001, em que prevê pelo Estado a expropriação das terras onde for constatado o trabalho escravo, sem pagamento de indenização.

Em anexo, encaminhamos ao Exmo Governador para vosso conhecimento. a Lista Suja de Empregadores no Piauí envolvidos com Trabalho Escravo e a Lista dos 43 (quarenta e três) municípios em situação de Aliciamento de trabalhadores piauienses resgatados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em outros Estados, no período de 2009-2010, para que na atual gestão pública possam ser direcionadas políticas públicas as cidades citadas abaixo.

Atenciosamente,

FÓRUM DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO DO PIAUÍ

“O importante não é vencer todos os dias, mas lutar sempre.”

Waldemar Valle

Subscrevemos:

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LISTA SUJA DO TRABALHO ESCRAVO

1. Airton Rost de Borba 336.451.750-91 - Fazenda Borba, Zona Rural, Monte Alegre do Piauí - PI 17 TRABALHADORES em dezembro/10;

2. Antônio Odalto Smith Rodrigues de Castro 142.195.493-15 Perímetro Irrigado do Gurguéia - Alvorada do Gurguéia/PI 83 TRABALHADORES dezembro/04;

3. Construtora Almeida Souza - Ltda 05.325.963/0001-89 - Construtora Almeida Souza Ltda – Teresina – PI 24 TRABALHADORES em Piripiri - julho/10;

4. Construtora Lima e Cerávolo - Ltda. 02.683.698/0001-12 - AHE - Salto do Rio Verdinho, BR-135, Zona Rural, Corrente - PI 95 TRABALHADORES em dezembro/10;

5. Edson Rosa de Oliveira 158.863.938-03 - Fazenda Boi Gordo, Zona Rural, Morro Cabeça no Tempo - PI 44 TRABALHADORES em dezembro/10;

6. Eduardo Dall Magro 426.384.290-15 - Fazenda Cosmos, Ribeiro Gonçalves – PI 21 TRABALHADORES em dezembro/08;

7. Esperança Agropecuária e Indústria Ltda 06.385.934/0008-41 - Fazenda Serra Negra, Aroazes – PI 8 TRABALHADORES em julho/10;

8. Indústria, Comércio e Representações Família Betel - Ltda. 12.317.202/0001-40 - Fazenda Nova Fé, Cajapió, Zona Rural, Parnaguá - PI 10 TRABALHADORES em dezembro/10;

9. Lírio Antônio Parisotto 213.676.129-34 - Fazenda Lírio Antônio Parisotto, Caixa Postal 24, Zona Rural – Uruçuí/PI 8 TRABALHADORES em julho/09;

10. Pedro Ilgenfritz 007.355.541-02 - Fazenda Alegria, Zona Rural, Antonio Almeida - PI 9 dezembro/10;

LISTA DOS MUNICÍPIOS EM SITUAÇÃO DE ALICIAMENTO

(DADOS DA FISCALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO)

Seguro-Desemprego dos Trabalhadores Resgatados

UF: PI


Período: 2009-2010


  1. Amarante

3



  1. Aroazes

1



  1. Assunção do Piauí

1



  1. Barras

1



  1. Batalha

1



  1. Beneditinos

2



  1. Buriti dos Lopes

1



  1. Campo Maior

2



  1. Canto do Buriti

1



  1. Castelo do Piauí

10



  1. Cocal

1



  1. Cristalândia do Piauí

2



  1. Curimatá

1



  1. Esperantina

1



  1. Flores do Piauí

2



  1. Floriano

1



  1. Francinópolis

1



  1. Ipiranga do Piauí

1



  1. tainópolis

1



  1. Itaueira

4



  1. Joaquim Pires

1



  1. Joca Marques

1



  1. Jose de Freitas

1



  1. Marcos Parente

1



  1. Matias Olimpio

2



  1. Miguel Alves

1



  1. Monsenhor Gil

1



  1. Monte Alegre do Piauí

1



  1. Nossa Senhora dos Remédios

2



  1. Palmeirais

42



  1. Parnaíba

2



  1. Picos

1



  1. Regeneração

3



  1. Santa Cruz do Piauí

2



  1. São João da Serra

1



  1. São José do Peixe

7



  1. São Pedro do Piauí

3



  1. Sebastião Barros

1



  1. Simões

4



  1. Teresina

16



  1. União

1



  1. Uruçuí

1



  1. Valença do Piauí

1



Total

134