sexta-feira, 11 de julho de 2008

Trabalho Escravo

O atraso à frente do progresso.
Com expansão das carvoarias, Piauí deixou de ser apenas exportador para se destacar também como um dos principais exploradores do trabalho escravo
Lúcio LambranhoEnviado especial a Corrente (PI) e Avelino Lopes (PI)
O drama ainda vivo dos catadores de feijão piauienses revelado na série de reportagens iniciada anteontem pelo Congresso em Foco (leia mais) está longe de ser um caso isolado de trabalho escravo ou de jornadas em condições degradantes nas áreas rurais no sul do Piauí.
Por ironia do destino, Corrente (PI), nome da cidade onde vive a maioria das vítimas do acidente que matou 14 pessoas, ganha por lá um aumentativo e vira correntão (foto abaixo), peça usada para devastar milhares de hectares de cerrado na região e colocar trabalhadores em situação muito próxima da escravidão nas carvoarias.
Há pelo menos quatro anos, segundo entidades que combatem o trabalho escravo na região, a expansão da fronteira agrícola deu contornos mais trágicos à exploração da mão-de-obra rural no Piauí. Desde então, o estado começou a registrar a ocorrência de trabalho escravo em seu território em vez de ser “apenas” uma das regiões onde mais se alicia pessoas Brasil afora.
Grande parte do problema se dá nas carvoarias, a primeira atividade econômica dessa expansão. Primeiro, os empreendedores, principalmente vindos do sul do país, derrubam a mata em até em 80% das propriedades, como manda a legislação. Depois, o cerrado vira pastagens ou lavouras de soja ou feijão.
Dados do escritório no Brasil da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que o Piauí foi, entre 2003 e 2007, o sexto estado brasileiro no ranking de trabalhadores aliciados para o trabalho escravo. Nesse período, foram libertadas 743 pessoas ante as 3.347 liberadas com domicílio no vizinho Maranhão, campeão na preferência dos "gatos", como são apelidados os aliciadores de mão-de-obra escrava.
As informações são apuradas a partir do preenchimento pelos trabalhadores da ficha de seguro-desemprego, direito relativo a três meses de salário que eles recebem ao deixarem as condições análogas à escravidão.
De exportador a explorador
Na outra ponta do problema, o Piauí também ocupa o sexto lugar entre os estados onde mais são encontrados trabalhadores cativos. De 2003 a 2007, foram libertados em território piauiense 195 pessoas, inclusive em carvoarias como a mostrada na foto abaixo, onde o Congresso em Foco esteve em Corrente.
"O setor de carvoaria está em transformação, de cinco anos para cá, com a terceirização da mão de obra, uma estratégia usada para burlar a fiscalização. Isso faz parte da expansão da fronteira agrícola no cerrado do Piauí", explica a coordenadora de combate ao trabalho escravo da OIT, Andrea Bolzon.
Em janeiro deste ano, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) no Piauí divulgou outro dado alarmante. Entre 2006 e 2007, houve um crescimento de 142% no número de denúncias de trabalho escravo no estado. Segundo a DRT, a falta de conhecimento dos trabalhadores em relação aos seus direitos quando saem para trabalhar é uma das principais causas do problema.
De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Piauí, os aliciados para trabalhar em condições degradantes fora do estado têm entre 18 e 35 anos. A maioria não concluiu nem mesmo a 4ª série do ensino fundamental. A entidade ligada à Igreja Católica contabiliza, entre 2004 e 2007, 11 casos de ocorrências de trabalho escravo no estado. Essas ações conseguiram libertar 401 trabalhadores nesse período.
"Temos prefeitos no Piauí que pagam até o ônibus para quem quiser trabalhar em péssimas condições fora do estado. É negócio para eles, que se livram do problema e não precisam fazer nada para gerar emprego e renda", denuncia a coordenadora de Combate ao Trabalho Escravo da CPT no Piauí, Joana Lúcia Feitosa Neta.
E mesmo com um programa estadual de erradicação do trabalho escravo e o envolvimento de várias entidades, a solução do problema ainda pode estar longe, segundo a representante da CPT. "O combate ao trabalho escravo ainda é lento e ineficiente, pois o estado não consegue alternativas de renda. O trabalhador continua sem saída no Piauí", ressalta Joana Lúcia.
O drama das carvoarias que agora ganha força no Piauí, sobretudo em cidades como Avelino Lopes, vizinha de Corrente, onde um hectare de terra pode ser comprado por R$ 50, como atestou com várias fontes a reportagem, é cada vez mais forte.
"Os nativos não têm o que fazer com as terras e vendem a preço de banana. Aí vêm os sulistas com dinheiro e só aumentam os projetos de carvão", disse um comerciante da cidade que preferiu não se identificar. É que ele tem, entre seus clientes mais fiéis, gente do sul, principalmente gaúchos. "Em breve, ninguém vai conseguir nenhum canto para criar seu gado e para pequena produção", completa o comerciante.
Pelos dados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Piauí (Fetag), o trabalho nas carvoarias motivou 90% das ações fiscais e apreensões durante todo o ano passado. Foram 156 trabalhadores, segundo a Fetag, resgatados dessas carvoarias contra 46 pessoas libertadas do setor de grãos.
"O Piauí vai virar fumaça"
A venda de terras por preços baixos na região para a criação de carvoarias é incentivada pela legislação. É no que acredita o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT) no Piauí, Luzardo Soares.
Segundo o procurador do MPT, a lei ambiental quase que obriga o proprietário rural a desmatar 80% das fazendas e se livrar da mata. E como os índices de produtividade estão, segundo ele, cada vez mais difíceis de serem cumpridos em várias regiões do país, ter uma propriedade rural ficou muito caro para os pequenos e médios produtores. É que, quanto menor a produtividade, explica Soares, maior é o valor do Imposto Territorial Rural.
"Por isso, os produtores são obrigados a vender barato suas terras e os novos donos são estimulados a desmatar sem pensar nas alternativas do manejo sustentável. Em pouco tempo, o Piauí vai virar fumaça", avisa o procurador.
Segundo Soares, o uso dos correntões para o desmate não respeita a biodiversidade, principalmente no Piauí, estado com o maior número de parques nacionais. "Parques como o da Serra da Capivara estão ameaçados, pois estão dentro dessa área de expansão agrícola", diz.
O procurador também confirma a informação de que os trabalhadores das carvoarias são submetidos a péssimas condições de trabalho. "Trabalho escravo pode até ocorrer em alguns casos, mas as condições degradantes estão sempre presentes", afirma.
O carvão vegetal, como o transportado nesse caminhão (foto acima) quase sempre acima do peso permitido, flagrado pelo site, é a base das siderúrgicas. Como mostrou o Congresso em Foco, entre as oito empresas e cinco pessoas físicas acusadas de manter trabalhadores em situação análoga à de escravo incluídas na última edição da chamada "lista suja" (leia mais), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), duas doaram para campanhas de políticos eleitos em 2006.
O principal beneficiário da contribuição dessas empresas foi o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), um dos principais nomes lembrados pelos tucanos para concorrer à sucessão de Lula em 2010.
De acordo com a prestação de contas registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governador mineiro recebeu em sua vitoriosa campanha à reeleição R$ 33,4 mil da Calsete Siderurgia, incluída na última “lista suja”, divulgada no final do ano passado.
Entre os dias 18 e 25 de maio de 2006 – antes, portanto, da doação ao comitê eleitoral de Aécio Neves –, 45 trabalhadores foram libertados pelos fiscais em uma fazenda administrada pela siderúrgica mineira no município de Formosa do Rio Preto, oeste da Bahia.
O Congresso em Foco revelou o drama dos catadores de feijão do Piauí numa série de reportagens especiais (leia a lista abaixo) que chega hoje ao fim. Mas não abandonará o seu compromisso de continuar acompanhando, no Congresso, a tramitação de propostas que tratam do trabalho escravo. Esforço que começou em janeiro de 2007, quando publicamos a primeira lista de políticos beneficiados por doações de campanha de empresas incluídas na chamada "lista suja" do MTE.
Leia também:
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Impulso para o trabalho escravoEm defesa de empresa acusada de manter 1.064 trabalhadores em condições degradantes, senadores levam fiscais a suspender fiscalização em todo o país
De pai para filhoPai de ministro do TCU é acusado de ter mantido 34 trabalhadores sob escravidão. Pecuarista doou para campanha do ex-deputado
Política financiada pela lista sujaEmpresas autuadas por explorar trabalhadores em condição análoga à de escravo doaram R$ 897 mil para 25 candidatos em 2006
Acusados de trabalho escravo financiaram 16 políticosEmpresas autuadas doaram R$ 550 mil nas últimas eleições. Entre os beneficiários, dois governadores, cinco deputados federais e três senadores

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Número de Carvoarias dobrou no Piauí.

Juliana NogueiraRepórter de Cidade - Jornal Diário do Povo

O número de carvoarias existentes no Piauí dobrou em relação ao ano passado. Em 2007 eram 25 carvoarias distribuídas pelo Estado e neste já passa de 50, sendo que este número pode ser bem maior, pois muitas atuam na ilegalidade e não foram sequer identificadas. A maior parte destas carvoarias atua com licenças ambientais, que permitem a devastação de 80% da área explorada. De acordo com a Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Piauí – Fetag-PI, a situação é mais grave em municípios como Canto do Buriti e Jerumenha, que concentram, juntos, 13 carvoarias. O diretor de Políticas Salariais da Fetag, Anfrísio Moura, afirma que o Piauí é o segundo maior produtor de carvão do país, perdendo apenas para o Estado do Maranhão. O carvão produzido aqui é vendido para indústrias, que exportam o produto para outros países. “Não há piauiense investindo em carvão aqui. Quem compra terra para explorar vem principalmente dos Estados da Bahia, Minas Gerais, Maranhão, To-cantins e Goiás”, disse.Anfrísio diz que na região onde está situado o município de Corrente, a 874 km de Teresina, há uma dificuldade maior em identificar as carvoarias, já que a maioria atua sem autorização. “Isto quer dizer que o número de carvoarias deve ser bem superior ao número levantado até então”. Enquanto a maioria das carvoarias funciona com autorização, a licença ambiental é negada aos 466 (num total de 500) assentamentos distribuídos pelo Estado. “O Governo precisa entender que é a agricultura familiar quem sustenta este Estado. Sem licença ambiental não há produção e os trabalhadores acabam migrando para outras regiões”, disse o diretor. Se estes assentamentos fossem licenciados, explica Anfrísio, os agricultores poderiam desmatar uma parte da área para criar um campo agrícola. “Se a produção cai, aumentam os preços dos produtos. Com esta exploração desenfreada as terras férteis do Piauí diminuem cada vez mais e as carvoarias ainda contribuem para o aumento do aquecimento global”, diz. Além de destruir as terras férteis, as carvoarias não geram emprego nem renda para o Estado. “Cerca de 95% dos trabalhadores não são piaui-enses. Eles são trazidos a cada 15 dias, justamente para não se formar um vínculo empregatício”, disse. O diretor diz que a situação será discutida hoje, a partir das 16 horas, na Delegacia Regional do Trabalho. “Vamos pedir para o Estado frear a liberação de autorizações, senão daqui a cinco anos o Estado estará totalmente devastado, como outros Estados do Sul do país já estão”, finalizou. Esta semana é toda dedicada ao meio ambiente e as queimadas são grandes responsáveis pela devastação que está ocorrendo em imensas áreas em todo o Piauí. A falta de uma fiscalização constante facilita que estas áreas sejam devastadas e não seja implantado um plano de manejo ambiental adequado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Frente pela "PEC do Trabalho Escravo"

Frente pela "PEC do Trabalho Escravo" realiza atos no Congresso nos dias 03 e 04 de junho. Com a entrada da Proposta de Emenda Constitucional 438, a chamada "PEC do Trabalho Escravo", na pauta de votação da Câmara dos Deputados, as dezenas entidades da sociedade civil, sindicatos e parlamentares que defendem a medida intensificaram o movimento para garantir sua aprovação. A PEC, que poderá ser votada a qualquer momento, prevê o confisco de terras onde sejam encontrados trabalhadores em situação análoga à de escravo e está sendo chamada de "a Segunda Abolição". Se aprovada, vai aumentar os riscos para aqueles que insistem em manter trabalhadores nesta situação e será um importante instrumento para inibir a prática que, 120 anos após a Lei Áurea, ainda persiste no Brasil.Quase 30 entidades, incluindo sete centrais sindicais, vão realizar no mês de junho uma série de atividades para sensibilizar os deputados federais indecisos sobre a importância de aprovação da PEC. No dia 4 de junho, acontecerá na Câmara dos Deputados um ato de criação da Frente Nacional Contra o Trabalho Escravo e pela Aprovação da PEC 438. Além de todas as entidades que já faziam parte do movimento de apoio à Proposta, a Frente será formada pelas centrais sindicais que se juntaram à causa, além de deputados federais e senadores. Já a partir da terça-feira (3), cerca de 150 representantes das entidades que compõem a Frente vão iniciar o corpo-a-corpo com os parlamentares. O objetivo é mostrar como a medida trará benefícios tanto para os trabalhadores quanto para os produtores rurais que cumprem as leis e enfrentam a concorrência desleal dos escravagistas contemporâneos. A PEC 438 já foi aprovada em dois turnos no Senado e em primeiro turno na Câmara, onde está parada desde 2004 por pressão da bancada ruralista, o principal foco de resistência à medida. Embora manter trabalhadores em situação análoga à de escravo seja crime previsto no Código Penal, há poucos empregadores que foram condenados e presos por isso. O balanço do Grupo Móvel de Fiscalização do governo federal mostra que o número de casos tem sido cada vez maior. Desde a criação do Grupo Móvel em 1995, já foram libertados mais de 30 mil trabalhadores. As entidades que fazem parte da Frente Nacional e o seu abaixo-assinado podem ser acessados em www.reporterbrasil.org.br/pec Mais informações com: Informações para a imprensa com Severino Goes (61-2106-4634), Leonardo Sakamoto (11-9713-9700), Rita Soares (61-8409-2055). Marcela Gomes (61) 99613360 , Viviane Dias (61) 33220266

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Não deixem da assinar

Abaixo-assinado pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo
O Congresso Nacional tem a oportunidade de promover a Segunda Abolição da Escravidão no Brasil. Para isso, é necessário confiscar a terra dos que utilizam trabalho escravo. A expropriação das terras onde for flagrada mão-de-obra escrava é medida justa e necessária e um dos principais meios para eliminar a impunidade.
A Constituição do Brasil afirma que toda propriedade rural deve cumprir função social. Portanto, não pode ser utilizada como instrumento de opressão ou submissão de qualquer pessoa. Porém, o que se vê pelo país, principalmente nas regiões de fronteira agrícola, são casos de fazendeiros que, em suas terras, reduzem trabalhadores à condição de escravos - crime previsto no artigo 149 do Código Penal. Desde 1995, mais de 28 mil pessoas foram libertadas dessas condições pelo governo federal.
Privação de liberdade e usurpação da dignidade caracterizam a escravidão contemporânea. O escravagista é aquele que rouba a dignidade e a liberdade de pessoas. Escravidão é violação dos direitos humanos e deve ser tratada como tal. Se um proprietário de terra a utiliza como instrumento de opressão, deve perdê-la, sem direito a indenização.
Por isso, nós, abaixo-assinados, exigimos a aprovação imediata da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras onde trabalho escravo foi encontrado e as destina à reforma agrária. A proposta passou pelo Senado Federal, em 2003, e foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Desde então, está parada, aguardando votação.
É hora de abolir de vez essa vergonha. Neste ano em que a Lei Áurea faz 120 anos, os senhores congressistas podem tornar-se parte da história, garantindo dignidade ao trabalhador brasileiro.
Pela aprovação imediata da PEC 438/2001!

Nome completo:

RG / Órgão emissor:

E-mail:

Cidade:

Estado:
Selecione AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO Outro País

Obs: seu e-mail e seu RG não serão publicados na Internet. Eles serão utilizados somente na versão impressa do abaixo-assinado, que será enviada ao Congresso.

» Veja a lista de quem já assinou

Este abaixo-assinado é de responsabilidade do "Movimento Nacional pela Aprovação da PEC 438 e pela Erradicação do Trabalho Escravo".
Integram o movimento: a Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo no Senado Federal, Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo, Degradante e Trabalho Infantil na Câmara dos Deputados, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, OIT, CPT, Fórum Nacional da Reforma Agrária, MST, Via Campesina, Contag, Fetraf, Coetrae-MA, Coetrae-TO, CDVDH, CRS, Sinait, Anamatra, ANPT, ANPR, AMB, Ajufe, OAB, Abra,Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo, Movimento Humanos Direitos, Repórter Brasil, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, entre outros.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Lançamento do Livro Conflitos no Campo Brasil



Foi realizado no dia 13 de maio o lançamento do Livro Conflitos no Campo Brasil, foi um momento muito forte, marcado pela celebração da vida dos mártires da terra.

sábado, 10 de maio de 2008

Lançamento do Livro Conflitos no Campo - Brasil, 2007.

A Comissão Pastoral da Terra - Regional PI, convida você para participar do lançamento do Livro: Conflitos no Campo, Brasil - 2007.
No dia 13/05/2008
Auditório da FETAG, Teresina, PI
às 09:00hs

Contamos com sua presença!

no site www.tvcanal13.com.br
Entrevista com o Coordenador da CPT, Regional, PI, Gregório Borges, dia 10/05/2008.

terça-feira, 15 de abril de 2008

CONFLITOS NOS CAMPO.

Comissão Pastoral da Terra lançará o Conflitos no Campo Brasil 2007
Paraná continua entre os mais violentos do Brasil

Nesta terça-feira, 15 de abril, a Comissão Pastoral da Terra – CPT divulgará os dados dos conflitos e da violência presentes na obra Conflitos no Campo Brasil 2007. No Paraná, o lançamento está previsto para as 14h, na sede da CPTPR. Simultaneamente, o relatório será lançado nacionalmente em Brasília, durante a programação do Acampamento de Lançamento da Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra (montado no Estádio Mané Garrincha). Entre os convidados para o lançamento nacional estará Íris Almeida, viúva de Valmir Mota, o Keno, militante da Via Campesina e do MST do Paraná, assassinado em 2007 durante protesto na Syngenta, empresa suíça responsável pela produção de sementes transgênicas.

Em 2007 foram assassinadas 28 pessoas em conflitos pela terra, número menor que em 2006, quando foram registrados 39 assassinatos. Esta diminuição se deu porque no Pará, em 2007, se registraram cinco mortes, quando em 2006, foram registradas 24. Em contraposição a essa forte retração no Pará, no restante do país houve um aumento de 50% no número dos assassinatos, que aconteceram em 14 estados, quando em 2006, as 39 mortes se concentraram em oito estados. Isto mostra que a violência se espraia pelo Brasil, dominando novos espaços. No ato do lançamento serão apresentados, ainda, números de ameaçados de morte, de tentativas de assassinato, de expulsões, despejos judiciais, ocupações, trabalho escravo, dentre outros.

No Paraná forma registrados 89 conflitos, envolvendo 36.683 pessoas, com 2 mortos, elevando para 24 o número de mortos nos últimos 10 anos no Paraná. O que chama atenção do Estado é o número de despejos (que vem crescendo nos últimos anos), mas, principalmente o crescimento no número de ações das milícias privadas, as quais têm atuado de forma impune no Estado.

Conflitos no Campo Brasil 2007

A publicação traz análises dos dados feitas por professores como Carlos Walter Porto Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense, Maria Aparecida de Moraes Silva e Bernardo Mançano Fernandes, ambos da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Entre os enfoques estão os conflitos trabalhistas, com destaque para a superexploração e a escravização dos cortadores de cana, diante do avanço da agroenergia, principalmente, do etanol. A CPT faz o registro dos dados com o objetivo de denunciar os conflitos e a violência a que são submetidos os trabalhadores e trabalhadoras rurais.

A obra Conflitos no Campo Brasil foi editada pela primeira vez em 1985, e, desde então, tem sido referência entre as entidades e movimentos do campo, no meio acadêmico, entre organismos internacionais, órgãos governamentais e a imprensa. Em 2002, a obra foi reconhecida como publicação científica pelo Instituto Brasileiro de Informação e Ciência e Tecnologia (IBICT).

Junto com o lançamento deste relatório será lançada uma versão popular da obra em forma de cordel, escrita pelo agricultor cearense Alfredo de Abreu Paz.

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segunda-feira, 14 de abril de 2008

XX ASSEMBLÉIA GERAL DA CPT

NOSSA ENERGIA VEM DO CHÃO
- Terra, Água, Trabalho e Pão –

A energia que move a Pastoral da Terra vem do chão. Vem do povo que habita a terra, as florestas, as águas e deles retira e nos oferece o pão. Vem particularmente do Deus da Bíblia, Aquele que caminha com seu povo em qualquer circunstância.

Vivemos um momento único na história da humanidade e do povo brasileiro. O modelo de desenvolvimento baseado na revolução industrial parece agonizar, intensifica suas contradições, pondo em risco a vida da humanidade e da comunidade da vida sobre a Terra. Vivemos uma mudança de época. É inevitável uma nova economia voltada para vida.

Presentes em nossa XX Assembléia, trabalhadores e trabalhadoras da terra, em poucas palavras, sintetizam a contradição do momento que vivemos e da forma como eles a experimentam: “não estamos bem, mas para trás não queremos voltar”. Traduzindo em miúdos, dizem claramente que programas concretos do governo atual, como o Bolsa Família, Luz para Todos, um salário mínimo melhor, o incentivo para que suas crianças possam ir para a escola, são bens importantes em suas vidas. Os investimentos destinados à transferência de renda para os mais pobres, porém, são nada quando comparados com os recursos destinados ao agronegócio e ao pagamento dos juros da dívida publica, deixando clara a subordinação total de nossa política econômica aos interesses do capital. Iniciativas governamentais, como a da redução das áreas de fronteiras, a edição da medida provisória 422 que legaliza a grilagem de terras na Amazônia, o recuo no reconhecimento dos territórios quilombolas, a privatização dos espelhos d’água, a transposição do rio São Francisco são expressão da subordinação deste governo aos interesses da classe dominante. Os próprios trabalhadores que reconhecem os avanços na área social são os que sentem que é urgente superar as medidas emergenciais por uma política de geração de trabalho e renda. E aguardam com ansiedade por medidas concretas que combatam a violência no campo e a perda de suas terras, o avanço acelerado da soja, da cana, do boi, das mineradoras e das madeireiras que os expulsam de suas áreas e desestruturam suas vidas. As comunidades tradicionais são as que mais sofrem com essa violência.

Como é de nossa história, insistimos numa reforma agrária adequada a cada bioma brasileiro. Além de insignificante em termos de desapropriações, insignificante em termos de recursos, falta qualidade à reforma agrária do governo. A inviabilidade de muitos assentamentos se dá em função de sua equivocada concepção. Entretanto, os problemas não anulam sua viabilidade e muito menos sua urgência. A CPT, que tem nos povos da terra sua razão de ser, sugere aos movimentos sociais que retomem essa bandeira de luta de forma renovada e inequívoca.

Debatemos particularmente a energia. As comunidades agredidas pela construção das barragens, a desumana vida nos canaviais, a sedução para entrar em programas de biodiesel, têm interferido de forma dura sobre um povo já sofrido. O povo que produz alimentos, também quer energia. Quer ter sua soberania energética. Muitas vezes as vítimas das barragens não têm energia em suas casas. Em outros países do mundo, os pequenos agricultores se tornaram produtores de energia através do sol e da biomassa. É um mundo em mudança também em sua base energética. O Brasil precisa mudar sua matriz energética e incorporar o povo verdadeiramente em sua produção, mas no modelo atual esse é um fato impossível.

Continuaremos com o povo, sem negar o que lhe é de direito, mas sem deixar de denunciar um modelo de desenvolvimento violento e predador que o agride. A economia tem que ser a da vida, não a do capital.

Que o Deus da vida, fonte suprema de todas as energias, esteja com o povo do campo e com aqueles que estão a seu serviço.

Goiânia, 10 de abril de 2008


Os participantes da XX Assembléia Geral da CPT

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Lançamento do Documentário

LANÇAMENTO DO DOCUMENTÁRIO
"ALÉM DO JEJUM...
as verdades do Velho Chico"
de Carlos Pronzato e Stefano Barbi Cinti

Na sexta feira 11 de abril às 20 h. na sede da APUB – Associação dos Professores Universitários da Bahia – (Rua Padre Feijó, n. 49, Canela) acontece o lançamento do documentário "Além do jejum...as verdades do Velho Chico" (60 min.) de Carlos Pronzato e Stefano Barbi Cinti. A entrada é franca.
O documentário realizado em Sobradinho (BA) no final do ano 2007 no local que o bispo da Barra (BA), Frei Luiz Flavio Cappio, escolheu como palco do seu segundo protesto – o primeiro aconteceu em 2005 em Cabrobó (PE) – contra o polêmico projeto do governo de transposição das águas do rio São Francisco (Velho Chico), aborda aqueles dramáticos dias (27 de novembro a 20 de dezembro) de resistência à implantação do referido projeto, com depoimentos de muitos dos que levaram sua solidariedade ao gesto espiritual, ambiental e político do bispo, ressaltando um discurso que propoe outras alternativas para o semi-árido.
Os mesmos diretores realizaram em 2005 o documentário "A Greve de Fome do Velho Chico", de grande repercussão nacional, que retrata o protesto de onze dias encerrado com a promessa do governo de paralisar as obras, o que acabou não acontecendo e provocando este novo jejum.
O documentário teve sua pré-estréia na Igreja de São Francisco em Sobradinho em fevereiro deste ano durante a Conferência de Sobradinho, reunião de avaliação dos acontecimentos durante a greve de fome.
"Depois de 22 dias encerro meu jejum, mas não a minha luta que é também de vocês, que é nossa. Precisamos ampliar o debate, espalhar a informação verdadeira, fazer crescer nossa mobilização. Até derrotarmos este projeto de morte e conquistarmos o verdadeiro desenvolvimento para o semi-árido e o Sao Francisco"
Dom Luiz Flávio Cappio (trecho da carta lida na celebração "de despedida" em Sobradinho em 20.12.07)
Carlos Pronzato, com uma vasta obra no campo do documentário sócio-político tem títulos de grande repercussão no Brasil e na América Latina ("Bolívia, a guerra do gás"; "O Panelaço, a rebelião argentina"; "A Rebelião Pinguina, estudantes chilenos contra o sistema", "A Revolta do Buzú", etc. Sua obra mais recente é "Carabina M2, uma arma americana, Che na Bolívia". Com Barbi Cinti realizou também "Maio Baiano, a repressão aos estudantes na UFBA em 2001" e o curta de ficção "Pierre Verger, chegar a Bahia" em 2006.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Missão Internacional sobre os impactos dos agrocombustíveis no Brasil

COLETIVA DE IMPRENSA
MISSÃO INTERNACIONAL SOBRE OS IMPACTOS DOS AGROCOMBUSTÍVEIS NO BRASIL

Dia 10 de abril, às 11h, no Centro Cultural de Brasília
L2 Norte - Bloco 601 B (ao lado do SERPRO)

Na próxima quinta-feira, 10 de abril, às 11h, acontece entrevista coletiva com integrantes da Missão Internacional sobre os Impactos dos Agrocombustíveis no Brasil, organizada pela FIAN (Foodfirst Information And Action Network) em parceria com entidades sociais brasileiras, como Comissão Pastoral da Terra e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.

O grupo, formado por observadores de países como Alemanha, Holanda, Suíça, Filipinas, Senegal, Colômbia e Canadá, começa neste sábado a percorrer os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Piauí para verificar os impactos da expansão territorial massiva das monoculturas para a agroenergia, no que diz respeito à disponibillidade de alimentos, de terras para a reforma agrária, conflitos pela terra, condições de trabalho e impactos ambientais.

Além disso, a Missão tem como objetivo documentar o papel do Estado brasileiro na promoção dos agrocombustíveis -nacional e internacionalmente -, avaliar a participação deste em relação às obrigações de direitos humanos com as quais o Estado brasileiro se comprometeu e incidir em foros internacionais relevantes, como União Européia e FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), apresentando os resultados da viagem e exigindo a proteção eficaz dos direitos fundamentais.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Resumo do Relatório de Atividades CPT, 2007.

RESUMO DO RELATÓRIO DE ATIVIDADES DA CPT EM 2007.

1. EIXO TERRA:
1.1 Luta pela Terra:

Foram criados 6 novos Assentamentos Rurais, beneficiando 354 famílias;
05 processos de desapropriação com decreto presidencial, que beneficiará 288 famílias;
22 processos de desapropriação tramitando no INCRA – Piauí, envolvendo 623 famílias;
12 processos de regularização da Terra tramitando em outros Órgãos, envolvendo 500 famílias;
Foram 1.765 famílias acompanhadas pela CPT nas 46 áreas de priorizadas em 2007;
Trabalhadores(as) capacitados(as) sobre os seus direitos associativista e à Terra, através dos encontros de formação ministrados pela CPT, percebendo assim uma ação mais qualificada dos mesmos

1.2 Luta na Terra:

Foram 11 assentamentos rurais acompanhados pela CPT em 2007;
233 famílias beneficiadas com habitações;
183 famílias beneficiadas com abastecimento d’água;
30 famílias beneficiadas com energia elétrica;
800 famílias receberam os créditos apoio e habitação;
Trabalhadores(as) capacitados(as) sobre associativismo, beneficiamento do caju através dos encontros de formação ministrados pela CPT e ou em parceria;
Participação ativa de trabalhadores(as) de Assentamento acompanhados pela CPT na Feira da reforma Agrária com a venda de produtos agrícolas e artesanais do assentamento.

2. EIXO ÁGUA:
2.1 Projeto Hum Milhão de Cisternas – Convênio CPT/ASA Brasil/MDS:

Foram construídas 400 cisternas, beneficiando 400 famílias diretamente dos municípios de Morro Cabeça no Tempo, Curimatá, Avelino Lopes e Júlio Borges;
Capacitação de 25 jovens na construção de bombas manuais para tirar a água das cisternas;
Capacitação de 77 pedreiros para construção de cisternas;
Capacitação de 400 famílias em Gerenciamento dos recursos hídricos.

2.2 Projeto de construção de Cisternas – Parceria CPT/Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria:

Construção de 16 cisternas, beneficiando 16 famílias na comunidade Quilombola Boi Morto – São Raimundo Nonato;
Capacitação de duas mulheres pedreiras para construção das cisternas;
Capacitação de 16 famílias em gerenciamento dos recursos hídricos.

2.3 Mobilizações e lutas:

Suspensão do projeto das Carvoarias na Serra Vermelha, localizada nos municípios de Curimatá, redenção, Currais, através da luta em parceria com outras entidades;

3. DIREITOS:
3.1 Trabalho Escravo;

Criação de uma comissão regional de prevenção ao trabalho escravo compostos pelos STR de Curimatá, Júlio Borges e Associação comunitária de Redenção;
Maior conhecimento dos trabalhadores e lideranças em relação aos direitos trabalhistas, sociais e agrários;
Formação de uma comissão microrregional de prevenção e combate ao TE em bom Jesus e Uruçui;
Aprovação de um projeto da casa de farinha pelo MDA para comunidade Lagoa dos macacos em São Raimundo Nonato;
Construção de uma casa de farinha em Cajazeiras – Barras, através do projeto Fastenopfer/CRB;
Beneficiamento do grupo de Monsenhor Gil com cestas básicas do INCRA;
Vistoria do imóvel Vista Alegre em Monsenhor Gil para assentamento das famílias vítimas do Trabalho Escravo;
Fiscalização pelo IBAMA, SEMAR Polícia Federal nas carvoarias da Serra Vermelha;
Envolvimento da academia e das escolas na discussão sobre as questões relativas ao Trabalho Escravo;
Produção de subsídios de conhecimentos científicos sobre Trabalho escravo;
Criação do Comitê Gestor composto por órgãos estaduais;
Sancionada a lei estadual que suspende a isenção de beneficio fiscal as empresas que for constado trabalho escravo;
Definição de ações na criação de políticas públicas e prevenção pelo Comitê Gestor para os municípios de aliciamento;
Maior envolvimento dos poderes públicos nas discussões referentes ao Trabalho Escravo;
A libertação de 171 piauienses das fazendas do Pará e Mato Grosso;
241 denúncias feitas ao Ministério do Trabalho em relação ao trabalho escravo e superexploração;
Foram feitas 04 fiscalizações de trabalho escravo em fazendas do Piauí pelo Ministério do Trabalho.

3.2 Relações Sociais de Gênero:

Organização de 09 grupos de mulheres, sendo: 03 quebradeiras de côco (Miguel Alves); 01 da comunidade Crioli (Barras); 01 no Assentamento Capitão de Campos (Esperantina); 01 na comunidade Cantinho II (Porto); 01 na comunidade Baixão da Canoa (Palmeirais); 01 na Ilha do Patiaca e 01 na Ilha do Caboré, ambos em Buriti dos Lopes;
O despertar das mulheres para a necessidade da organização;
03 mulheres como referência nos grupos de Quebradeiras de Côco;
Intercâmbio com a CPT de Dom Pedro – MA na experiência com mulheres quebradeiras de côco;
Organização e fortalecimento de grupos de mulheres no Regional;
Representação significativa das mulheres na FERAPI;
Geração de renda com os grupos da Comunidade Crioli – Barras e Cantinho II – Porto, com a confecção de produtos de limpeza;
Aprovação de um projeto de geração de renda para os grupos de Mulheres Quebradeiras de Côco de Miguel Alves, convênio fastenopfer/CRB;
Conhecimento das Mulheres quebradeiras de côco de Miguel Alves da Lei Maria da Penha;
Construção de 16 cisternas para a Associação de mulheres Quilombolas da Comunidade Boi Morto – S.R.N;
Resgate da cultura do reisado, São Gonçalo com as mulheres quilombolas;
Capacitação de 16 mulheres da comunidade Boi Morto em Gerenciamento dos Recursos Hídricos;

3.3 Institucional:

Aquisição de um Carro utilitário junto a Miva suíça;
Aprovação de projetos: Juristas Leigos, Cisternas, Casa de Farinha, Geração de Renda (Mulheres Quebradeiras de Côco);
Uma maior aproximação com 03 Bispos sobre o trabalho da CPT (São Raimundo Nonato, Campo Maior e Bom Jesus);
Uma nova redefinição das equipes Diocesanas;
Um planejamento de acordo com a nossa capacidade de execução;
Boa relação com as entidades de cooperação (BRUCKE E FASTENOPFER);

3.4 Documentação e Comunicação:

Lançamento do Livro de Conflitos;
Registro das Áreas de Conflitos;
Criação de um Blog da CPT Regional;
01 edição do Jornal O Lavrador;
Envio de matérias para CPT Nacional.
Informações: Gregório Borges, Coodenação CPT, Regional, PI.

domingo, 30 de março de 2008

Encontrados 270 trabalhadores irregulares em canavial

Encontrados 270 trabalhadores irregulares em canavial
Auditores do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais encontraram em Santa Vitória (MG) 270 trabalhadores em alojamentos precários e contratados irregularmente pela empresa Vale do São Simão Agricultura. A maioria são trabalhadores de Minas, Goiás, Bahia e Maranhão contratados para trabalhar no plantio de cana-de-açúcar.“Os trabalhadores estavam em alojamentos superlotados, sem condição de higiene e com falta de água potável. Embora todos tivessem carteira de trabalho assinada, havia irregularidades na contratação”, disse o procurador do MPT Eliaquim Queiroz. Entre os trabalhadores havia uma mulher, que se alojava com os homens e estava acompanhada do marido.No ato da inspeção pelos auditores do Ministério do Trabalho, a empresa pagou R$ 62 mil, disse o procurador, acrescentando que esse valor pertence aos trabalhadores. Trata-se dos valores de transporte, diária e alimentação que deveriam receber do local onde foram contratados, nas suas cidades, até a chegada a Santa Vitória.Havia trabalhadores até do Maranhão, que tiveram de viajar mais de 2.000 quilômetros. Todos os 270 trabalhadores, de acordo com o MPT, deveriam ter sido contratados nas suas cidades de origem, antes de embarcarem para a empresa no Triângulo Mineiro.Como só foram registrados quando chegaram em Santa Vitória, a empresa teve agora que regularizar a contratação nas carteiras de trabalho.Três ônibus usados para o transporte de trabalhadores foram interditados por não estarem dentro dos padrões de segurança determinados pela legislação de trânsito. A inspeção começou na semana passada e foi concluída nesta semana.Alguns alojamentos foram desativados e a empresa alugou casas para os trabalhadores até que as moradias possam voltar a receber os trabalhadores. O MPT vai preparar um Termo de Ajustamento de Conduta para a empresa assinar, responsabilizando-se a não repetir as irregulares, e apresentará ação por dano moral coletivo.
Jornal Pequeno
Auditores do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais encontraram em Santa Vitória (MG) 270 trabalhadores em alojamentos precários e contratados irregularmente pela empresa Vale do São Simão Agricultura. A maioria são trabalhadores de Minas, Goiás, Bahia e Maranhão contratados para trabalhar no plantio de cana-de-açúcar.“Os trabalhadores estavam em alojamentos superlotados, sem condição de higiene e com falta de água potável. Embora todos tivessem carteira de trabalho assinada, havia irregularidades na contratação”, disse o procurador do MPT Eliaquim Queiroz. Entre os trabalhadores havia uma mulher, que se alojava com os homens e estava acompanhada do marido.No ato da inspeção pelos auditores do Ministério do Trabalho, a empresa pagou R$ 62 mil, disse o procurador, acrescentando que esse valor pertence aos trabalhadores. Trata-se dos valores de transporte, diária e alimentação que deveriam receber do local onde foram contratados, nas suas cidades, até a chegada a Santa Vitória.Havia trabalhadores até do Maranhão, que tiveram de viajar mais de 2.000 quilômetros. Todos os 270 trabalhadores, de acordo com o MPT, deveriam ter sido contratados nas suas cidades de origem, antes de embarcarem para a empresa no Triângulo Mineiro.Como só foram registrados quando chegaram em Santa Vitória, a empresa teve agora que regularizar a contratação nas carteiras de trabalho.Três ônibus usados para o transporte de trabalhadores foram interditados por não estarem dentro dos padrões de segurança determinados pela legislação de trânsito. A inspeção começou na semana passada e foi concluída nesta semana.Alguns alojamentos foram desativados e a empresa alugou casas para os trabalhadores até que as moradias possam voltar a receber os trabalhadores. O MPT vai preparar um Termo de Ajustamento de Conduta para a empresa assinar, responsabilizando-se a não repetir as irregulares, e apresentará ação por dano moral coletivo.
Jornal Pequeno

domingo, 2 de março de 2008

II Encontro de Quebradeiras de Côco - Município de Miguel Alves, PI

Rumo ao 08 de março...
COMISSÃO PASTORA DA TERRA - C PT, REALIZOU ENCONTRO DE QUEBRADEIRAS DE CÔCO.
“Onde pisa uma mulher há sentimentos, onde pisam duas ou mais mulheres nasce a organização...”

A CPT (Comissão Pastoral da Terra) realizou nos dias 28 e 29 de fevereiro de 2008 o II Encontro de Mulheres Quebradeiras de Côco do Município de Miguel Alves, PI.

O encontro reuniu 70 mulheres de assentamentos e áreas de conflitos da região, teve como tema: “Mulheres organizadas, mundo transformado”, com o objetivo de discutir a organização da categoria, as formas de violência contra a mulher e aplicação da Lei Maria da Penha. Estiveram presentes para contribuir com essa discussão o Delegado de Policia de Miguel Alves, Senhor Alberto Sales e a Dr. Vilma Alves delegada da Mulher do município de Teresina.

Ir. Eurides Alves de Oliveira conduziu a reflexão sobre a organização das mulheres fazendo uma trajetória histórica destacando as suas principais bandeiras de luta: proteção, saúde, política, educação, justiça, assistência e liberdade.

Para fortalecer a organização, as mulheres tiraram como encaminhamentos a criação da associação das Quebradeiras de Côco no município e a comemoração do 8 de março, dia Internacional da Mulher, tendo como principal reivindicação a criação da delegacia Especializada de atendimento da mulher no município de Miguel Alves.

Rosa Ilma Lobato
Coordenadora da CPT- Comissão Pastoral da Terra , PI

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

2008

"Ai de vós que juntais casa a casa, campo a campo até que não sobre mais espaço para os pobres e sejais os únicos donos do País." Is. 5,8

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Solidariedade

Dom Luiz Cáprio, Reiniciou o Jejum pela vida .
Somos solidárias e solidários neste momento, e reafirmamos o compromisso na incansável teimosia em dizer não a transposição do Rio São Francisco.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Sem-terra ocupam Prefeitura de União - PI

Cerca de 250 Pessoas ocuparam no dia 22 de novembro a sede da Prefeitura de União. A ocupação foi promovida pela associação de Moradores de Tranqueira e pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de União.
A ocupação é uma forma de pressão para que a Prefeitura faça o cadastro dos moradores, que o Instituto de Terras do Piauí faça um levantamento da área e que o Governo do Estado regularize o terreno, como havia sido acordado no dia 29 de agosto deste ano, mas não foram tomadas as providências pelos órgão públicos.
170 famílias ocupam 557 hectares na localidade de Tranqueira desde 19 de novembro de 2004. Segundo Manoel Mariano de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de União, a ocupaçao ocorreu porque as providências que os órgão públicos se comprometeram não foram cumpridas. Ele ainda disse que estão aumentando os conflitos no campo em União por causa da expansão da área de plantio da Comvap, empresa que produz álcool e açúcar. "Agora estão querendo despejar os moradores da localidade Saco".

Encontro CPT

A Comissão Pastoral da Terra esteve reunida no dia 09/11/2007 na Bahia para um dia de encontro. No primeiro momento houve troca de experiencias sobre as várias formas de armazenamento de água. O que nos chamou atenção é a cisterna de enchorrada e a outra é a barragem subterrânia. No Piauí se trabalha com a cisterna calçadão.
Com o conhecimeto deta nova técnica, pretendemos trazer esta experiência da cisterna de enchorrada e subterrânea para o Forum Piauiense e discutir quais as possiblididades de implementação no Piauí, tendo em vista que estas causam menos impacto amabiental
A barragem subterrânea possibilita acumular água no subsolo, podendo fazer plantio ao seu redor.
JOdian Aparecido.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Microregional de Curimatá

UGM – COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – MICROREGIONAL DE CURIMATÁ

P1MC FAZ PARADA PARA BALANÇO

O Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido – Um Milhão de Cisternas Rurais (P1MC), depois de 05 anos de existência, fez uma parada, com o objetivo de fazer um balanço geral, através de um processo de avaliação e de prestação de contas do Programa. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), sendo uma Unidade Gestora do Programa, faz uma avaliação muito positiva do mesmo, uma vez que tem possibilitado para as famílias do semi-árido, mobilização, formação, controle social e principalmente, melhoria na qualidade de vida das famílias. Neste período de atuação, a UGM – Comissão Pastoral da Terra, com a contribuição de muita gente boa, apresenta os seguintes dados:

* Atuação direta em 04 Municípios (Morro Cabeça no Tempo, Júlio Borges, Avelino Lopes e Curimatá);
* Construção de 1.125 cisternas;
* 1.125 famílias mobilizadas e capacitadas (diretamente);
* 60 jovens capacitados em confecção de bomba manual;
* 120 pedreiros capacitados;
* Criação e atuação efetiva de 04 GTMs (Grupos de Trabalhos Municipais), com média de 10 pessoas cada;
Além desses dados, a UGM CPT também realizou neste período:

Acompanhamento às atividades da CPT diocesana;
Acompanhamento ao processo de luta em defesa da serra vermelha;
Trabalho de parceria com STRs, paróquias e Associações;
Realização de 02 programas de rádios semanal (em 02 Municípios);
Outras atividades

Informamos que a equipe da UGM parou suas atividades desde o dia 30 de outubro último. Está sendo discutido entre UGC/ASA e MDS a possível assinatura de um novo contrato que se acordado deverá reiniciar as atividades em janeiro de 2008.

Paulo Henrique
Membro do Secretariado da CPT Regional

Água fonte de vida



Momento da celebração - água fonte de vida - quando compartilhada é benão.

Em meio a dura realidade da seca, as flores trazem toda beleza.

Inauguração das Cisternas




Inauguração da 16 cisternas na comunidade Boi Morto - São Raimundo Nonato - 13-11-2007

terça-feira, 20 de novembro de 2007

20 de novembro dia da Consciência Negra!

Diga não ao preconceito racial! denuncie qualquer discriminação.
O preconceito ainda é forte em nosso país por isso não podemos calar.
Hoje é um momento forte para celebrarmos a resistêcia do povo negro.

Marcelo Barros *

Fontes - Adital
Nesta semana, ao recordar o martírio de Zumbi dos Palmares, que, no dia 20 de novembro de 1697, deu a vida pela liberdade do povo negro e para que nunca mais nenhuma pessoa humana seja escravizada, grupos sociais de todo o Brasil se unem para celebrar a valorização da negritude e a contribuição das culturas afro-descendentes para o nosso país. O Dia da União e Consciência Negra nos remete à riqueza de uma sociedade pluralista, na qual a originalidade de cada cultura seja não só respeitada, mas possa contribuir com o conjunto. Zumbi dos Palmares não é herói apenas dos que se reconhecem negros e sim de todo o povo brasileiro. Ele e todos os que lutaram pela liberdade e igualdade dos seres humanos possibilitaram que o Brasil se reencontre finalmente com sua alma negra e possa assumir o fato de ser, mais do que qualquer país africano, a pátria da maior população negra do mundo.
Infelizmente, mais de 300 anos depois do martírio do Zumbi, as pesquisas oficiais confirmam: o Brasil branco continua sendo 2,5 vezes mais rico que o Brasil negro. Apesar das políticas sociais do governo terem conseguido tirar mais de oito milhões de brasileiros da miséria, as diferenças entre negros e brancos não têm diminuído. Os negros chegam a ser 64% da população brasileira mais pobre. Enquanto esta realidade não for transformada, a lei que proíbe o racismo continuará sendo, na prática, desrespeitada. A sociedade mantém a máscara do respeito à igualdade de todos, mas se organiza de forma que os negros continuem social e economicamente discriminados. Eles vivem esta experiência há mais de cem anos, quando foram "libertados" da escravidão, sem qualquer indenização, nem política social que permitisse o mínimo de integração social aos ex-escravos, jogados à rua, sem casa, sem trabalho e sem nenhum direito social.

Desde a Conferência da ONU contra o racismo em Durban (África do Sul, 1991), cresce no mundo a idéia de exigir "indenização pelos anos de escravidão" e formular "uma política de reparação pelas injustiças sofridas". O mundo pagou indenização aos judeus pelo que sofreram nos anos do holocausto nazista. Governos de países latino-americanos que torturaram pessoas e assassinaram militantes em épocas de ditadura aceitam pagar indenizações às famílias pelo que os seus pais e avós sofreram. Entretanto, até aqui nenhum dos países que se enriqueceram com o seqüestro e a escravidão dos irmãos e irmãs da África aceitam restituir um pouco do que roubaram a estes povos, hoje, empobrecidos e em situações de grande carência. Ao contrário, governos e empresas de países da Europa, como também dos Estados Unidos continuam explorando diamantes e petróleo de vários paises africanos através da mão de obra quase escrava e da conivência de governos corruptos que se enriquecem à custa da miséria de seus cidadãos.

Tudo o que pode favorecer a superação de quaisquer preconceitos e discriminações deve ser apoiado para que consigamos construir relações em que as pessoas se enriqueçam com os diferentes e as diferenças. Neste assunto, ainda temos longo caminho a percorrer. No Brasil, a atual política de cotas nas escolas ou em certos trabalhos públicos tem defeitos e não atinge a raiz dos problemas, mas provisoriamente, pode ajudar a que a população negra e seus descendentes tenham mais condições de acesso à sociedade na qual sempre foram discriminados. O jornal Valor dedicou a capa do seu suplemento semanal de fim de semana ao fato de que a Universidade Zumbi dos Palmares, que tem 87% de seus alunos negros, formou sua primeira turma (ela foi criada em 2003). Conforme o jornal, a maioria destes 126 alunos, formados em Administração de Empresas e Direito, já se submetem a concursos e exames de admissão em empresas nacionais e internacionais. O resultado está sendo um excelente índice de aprovação (Cf. Valor, 09- 11/11/ 2007).

É importante este reconhecimento do talento de tantos jovens que, antes eram praticamente impedidos de aceder à universidade e a certos empregos simplesmente por serem negros e pobres. Entretanto, esta integração só vale a pena se, para ser incluídas na sociedade, as pessoas não precisem renunciar a sua identidade original e quase deixar de ser negras. Ora, um dos grandes valores das culturas afrodescendentes é justamente não se privar de sua liberdade em função das conveniências do mercado. O que toda sociedade brasileira pode aprender de muitas comunidades negras é que o sentido da vida é possibilitar a todos condições de se humanizar na convivência uns com os outros e na valorização dos elementos mais gratuitos da vida, como o lazer, a arte e a busca espiritual.

Sobre isso, as Igrejas cristãs têm uma dívida moral com as culturas e religiões negras. Se no passado, diversas Igrejas condenaram e perseguiram estas formas de fé, atualmente, o Conselho Mundial de Igrejas, que reúne 340 confissões cristãs, afirma que ninguém pode, em nome do Evangelho, negar o direito das comunidades negras ou indígenas de ter suas tradições espirituais próprias e autóctones, como não se pode menosprezar sua forma de crer e cultuar a Deus.

Zumbi não conseguiu o fim da escravidão, menos ainda a superação do racismo. Mas, sua história e seu exemplo nos ajudam a prosseguir o caminho da liberdade e a lutar contra qualquer tipo de discriminação e injustiça. Ainda hoje, milhares de brasileiros/as cantam com convicção: "Ei, ei, Zumbi, Zumbi, ganga meu rei, você não morreu, você está em mim...".

Semi-Árido: o mais chuvoso do planeta

* Leonardo Boff, teólogo.

O romancista Graciliano Ramos, o pintor Di Cavalcanti e o cantor-sanfoneiro Luis Gonzaga nos acostumaram a associar o semi-árido nordestino à seca. Mas se trata de uma visão curta e parcial. Os últimos anos conheceram notável mudança de leitura. Estudos minuciosos e trabalhos consistentes suscitaram uma visão revolucionária. Fala-se menos de seca e mais de Semi-Árido com o qual se deve conviver criativamente. Nesta tarefa ganham relevância ONGs, comunidades eclesiais de base, a Articulação do Semi-Árido (ASA) que inclui 800 entidades ao redor do projeto "um milhão de cisternas" (já se construíram 200 mil) e o Movimento de Organização Comunitária (MOC) de Feira de Santana-BA que atua em 50 municípios. O melhor apanhado desse processo prático-teórico nos é oferecido pelo exímio conhecedor da bacia do São Francisco, Roberto Malvezzi, com seu livro "Semi-Árido: uma visão holística" (Pensar o Brasil 2007). O eixo central é entender o Semi-Árido como bioma e a estratégia consiste na convivência não com a seca, mas com o Semi-Árido.

Tal bioma, chamado caatinga, recobre uma área de 1.037.00 km quadrados com rica biodiversidade. Na época da seca quase tudo hiberna. Mas basta chover, de setembro a março, para, em alguns dias, tudo ressuscitar com um verdor deslumbrante. Não há falta de água. Como média caem 750 mm/ano. É o Semi-Árido mais chuvoso do planeta. Mas pelo fato de o solo ser cristalino (70%), impedindo a penetração da água, acrescentando-se ainda a evaporação por insolação, perdem-se anualmente cerca de+ 720 bilhões de litros de água. Recoletada, seria mais que suficiente para toda a região.

A estratégia da convivência com o Semi-Árido "visa a focar a vida nas condições socioambientais da região, em seus limites e potencialidades, pressupondo novas formas de aprender e lidar com esse ambiente para alcançar e transformar todos os setores da vida". Com efeito, os vários grupos que por lá atuam, utilizam o método Paulo Freire que consiste, fundamentalmente, em criar sujeitos ativos, autônomos e inventivos. Assim aprendem a aproveitar todos os recursos que a caatinga oferece, utilizando tecnologias sociais de fácil manejo com o propósito de garantir a segurança alimentar, nutricional e hídrica através da agricultura familiar e de pequenas cooperativas.

Entre muitos, três projetos são notáveis: o da construção de um milhão de cisternas de bica que recolhem água da chuva dos telhados, conduzindo-a diretamente para o reservatório de 16.000 litros hermeticamente fechado. O outro é "uma terra e duas águas" (o "1+2"): visa garantir a cada família uma área de terra suficiente para viver com decência, uma cisterna para abastecimento humano e outra para a produção. Por fim, o Atlas do Nordeste, proposta da Agência Nacional de Águas para beneficiar 34 milhões de nordestinos do meio urbano, custando a metade da transposição. Esse projeto se opõe à transposição, qualificada como "a última obra da indústria da seca e a primeira do hidronegócio".

Os referidos projetos, se implementados, custarão muito menos, atenderão a mais gente e não causarão impactos ambientais. Por fim, cito duas outras iniciativas do MOC: o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), oferecendo educação contextualizada às crianças e o Baú da Leitura. São baús cheios de livros que percorrem as comunidades entretendo as pessoas com leituras, interpretações e teatralização, fazendo o povo pensar. De fato, o ser humano não nasceu para passar fome, mas para irradiar, como diz um de nossos poetas-cantadores.

*Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Incêndio destrói acampamento




Uma sequência de incêndio ocorrida na tarde do sábado dia 17-11 causou uma trájedia no acampamento Aroeiras no município de União-PI. foram totalmente destruídas cerca de 20 casas,as familias perderam todos os seu pertences, roupas, alimentos. Os incêndios começaram nas florestas e se espalharam para em volta do acampamento dos sem-terra.
o Cenário do assentamento é de desolação, toda mata ao redor foi destruída, as palmeiras de babaçu, tudo virou tronco seco, queimado, restando só carvão.

Entrega do documento da posse da terra ao Sr.Chico Vicente


EMISSÃO DE POSSE DO IMÓVEL BARRA DO TAQUARI – MUNICÍPIO DE BARRAS – PI

Depois de muitos anos de luta, resistência onde os moradores e moradoras da área Barra do Taquari sofreram os mais diversos tipos de ameaças e violência, tais como, impedimento do acesso a água, matança de animais, ações infundadas na justiça e delegacia de polícia, pressão psicológica, enfim, no dia 13 de novembro de 2007 saiu a emissão de posse da referida área.
E para coroar esse momento com chave de ouro, as famílias receberam da Superintendência do INCRA o título de emissão de posse em clima de festa, onde houve uma grande celebração retratando a história de luta das famílias, como também um almoço comunitário para todos os presentes.
Grefório Borges.

Emissão de Posse - Barra do Taquari

sábado, 17 de novembro de 2007

Organizações denunciam caso Keno para a ONU

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Via Campesina e a organização de direitos humanos, Terra de Direitos, entregaram documento com denúncias do assassinato do trabalhador Valmir Mota de Oliveira (Keno), de 34 anos, por uma milícia armada, contratada pela multinacional Syngenta Seeds, ao Relator Especial da ONU sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston, durante audiência em Brasília, no dia de ontem. A notícia é do sítio da Terra de Direitos, do dia 13.
Além de assassinar Keno, no ataque ao acampamento da Via Campesina, que aconteceu em 21 de outubro, no campo experimental de transgênicos da empresa, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná, mais cinco trabalhadores foram gravemente feridos, entre eles Isabel do Nascimento de Souza, que levou um tiro na cabeça, à queima roupa, atingindo o olho, perfurando o pulmão e alojando-se próxima à coluna vertebral. Ela ainda foi espancada e arrastada pelos pistoleiros. Em conseqüência, perdeu a visão de um olho.

O caso é um exemplo de execução de dirigentes de movimentos sociais e da impunidade e conivência de autoridades com o crime e a violência no Brasil. O documento também apresenta um histórico de vários ataques de milícias armadas, que vem sendo praticados por pistoleiros contratados ilegalmente por organização de fazendeiros, contra trabalhadores rurais no Paraná. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, em 2006 o Estado apresentou o maior número de conflitos de terra no campo brasileiros, ao todo foram 76 casos de conflitos por terra.
Fonte: Adital

Encontro Nacional de Formação - Territorialidade e Quilombos.

Em carta divulgada após o encerramento do Encontro Nacional de Formação "Territorialidade e Quilombos" - realizado na cidade de Goiânia entre os dias 26 e 28 de outubro -, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou a campanha mentirosa que está sendo orquestrada para atingir várias comunidades quilombolas, desqualificando sua identidade, sua luta e seu direito a ter o domínio de seu território.
Dita campanha, que é apoiada por alguns meios de comunicação influentes, busca frear a luta, "legítima e constitucional, das comunidades quilombolas de todo Brasil para ter reconhecido, demarcado e titulado o seu próprio território, nos faz renovar nosso compromisso de fidelidade junto a todas e todos que lutam por terra, alimento e vida na paz", acrescentou a CTP.
A carta final do Encontro, que reuniu cerca de 120 agentes e representantes quilombolas de vários estados, exigiu ainda o reconhecimento e a titulação de todos os territórios quilombolas do Brasil, para que o povo possa construir relações comunitárias com a terra, com a água e com toda a natureza; construir relações de fidelidade com os ancestrais e com as futuras gerações.
A CPT se comprometeu com uma luta firme: contra toda a discriminação e a violência étnica, cultural e religiosa que, apesar de ilegal, continua presente em nossa sociedade e em várias igrejas ou movimentos eclesiais; para exigir que as políticas públicas para as comunidades quilombolas sejam decididas com a participação deliberativa das mesmas, de modo a evitar todo assistencialismo e irregularidade; para que o Incra, superando seu crônico imobilismo.
"O protagonismo corajoso e perseverante das comunidades quilombolas levou à elaboração de uma base legal que legitima seus direitos e à implementação de políticas públicas afirmativas que, mesmo insuficientes, são um passo indispensável para que lhes seja feita justiça", disse a carta.
Os participantes do encontro, saídos da Bahia, Minas Gerais, Pará, Goiás e outros, discutiram questões como a importância do território para as comunidades tradicionais, políticas públicas e governamentais para o povo quilombola e para trocar experiências de luta, dificuldades e resistência. Em um debate para entender, com as exposições, um pouco mais da cultura e da identidade quilombola.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Oficina - Trabalho Escravo

Nos dias 27 e 28-11-2007 acontecera no Auditório da DRT- PI o encontro para elaboração do Plano Estadual de Combate ao Trabalho Escravo e os Desafios para o próximo Treênio.

Programação: 27-11
Apresentação dos participantes
O que é trabalho escravo para nós?
Diálogos com Frei Xavier - CPT Nacional e Anfrisio-FTAG - PI
Dabate e sintese.
Almoço
Grupos de leitura e discussão do Plano Estadual de Combate ao Trabalho Escravo para identeificação de Direitos.
Fechamento do dia

28-11
Apresentação da sintese do dia anterior
Definição das prioridades
Encerramento.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

VOZ DA MÃE TERRA

VOZ DA MÃE TERRA (poema de Lúcia Silva, adaptado)

Estou cercada
Estou marcada
Estou presa e não posso mais
Nas mãos de poucos que são tiranos
Que não repartem em porções iguais

Eu a mãe terra de que falas
Eu gero a vida e tudo mais:
Trago comigo o grande grito
A dor que sinto já é demais

Sou mãe do índio
Sou mãe do negro
Sou mãe do branco e quero paz.
Sou a mãe terra e gero a Vida e tudo mais...

Eu sou amada, sou desejada,
Por meus filhos
Por minhas filhas
Pelas plantas e os animais

Escute o apelo, ouça o meu grito
“Ouvi o clamor do meu povo no cerrado”
Com a irmã água sou fonte de Vida
Quero ser livre e gerar mais!

Estou cercada
Estou marcada
Estou presa e não posso mais
Nas mãos de poucos que são tiranos
Que não repartem em porções iguais

Eu sou amada, sou desejada,
Por meus filhos
Por minhas filhas
Pelas plantas e os animais
Sou a mãe terra, e com a irmã água eu gero a Vida e tudo mais...

Bênção de envio as romeiras e romeiros

Como o sol e a chuva descem do céu e para lá não voltam
Sem ter regado a terra tornando-a fecunda e fazendo-a germinar
Dando semente ao semeador e pão a quem tem fome,
Tal ocorre com a experiência vivida nesta 10ª Romaria da terra e da Água!
Regada pela palavra de Deus e da Vida
Ela germina da terra e não retorna sem produzir frutos.
A terra se abre e produz a salvação e faz brotar a justiça para os povos do cerrado!

Queridos Romeiros e Romeiras

Que o Deus da Vida e da Libertação, os abençoe
no caminho de volta para suas casas e comunidades
e continue conduzindo os passos de vocês
rumo a terra prometida hoje e sempre; Amém!

Que o Deus de Jesus Cristo, os abençoe no caminho da paz,
da justiça e da solidariedade com a esperança incansável
de que na luta dos pequenos o projeto do Reino se faz semente; Amém!

Que o Deus Espírito Santo, os abençoe com a coragem ousada
dos profetas e profetizas que ontem e hoje
acreditam e confiam na força libertadora dos
pequenos que com fé se põem em Romaria para
afirmar com toda a força do teu ser que a Terra
e a Água são fontes de Vida! Amém!

A Benção de Deus Trindade, Pai, Filho
e Espírito Santo desça sobre vocês como
tenda que abriga; água, pão e o vinho que alimenta e
mata a sede; Luz e fogo que aquece e ilumina;
Terra que germina e produz frutos de Vida! Amém!

Vá na benção e abençoado e abençoada seja benção para o irmão e a irmã que encontrares no caminho, que contigo acredita e assume a causa da Vida e da libertação! Amém!

Carta da Romaria.

10ª Romaria da Terra e da Água do Piauí.
TERRA É FONTE DE VIDA
“Eu Ouvi O Clamor do Meu povo” no Cerrado.

De Uruçuí ecoa o grito dos povos do Cerrado

“A terra geme e seus filhos desfalecem;...
até os peixes do mar estão desaparecendo.” (Os 4,3).
“Olhei as montanhas: elas tremiam, e todas as colinas se abalavam”.(Jr 4,24).

O clamor do Cerrado:

O bioma do cerrado, a caixa d’água brasileira, no qual o cerrado piauiense é o 4º mais importante do Brasil, com uma área de 11.856.866 (onze milhões oitocentos e cinqüenta e seis mil, oitocentos e sessenta e seis hectares), o que corresponde a cerca de 34% do estado. Aproximadamente 10% desse ecossistema está sendo ocupado e utilizado com projetos agropecuários.
A monocultura da soja, a substituição da cobertura vegetal nativa pela monocultura do eucalipto e a produção de carvão e lenha representam as principais atividades degradadoras do Cerrado piauiense. Se este processo não for interrompido, em menos de 30 anos já não existirá mais o cerrado e conseqüentemente será transformado em áreas desertificada.
Dentre as inúmeras ameaças ao bioma cerrado estão: a expansão da agricultura e da pecuária; a monocultura intensiva de grãos e a pecuária extensiva de baixa tecnologia; o uso de técnicas inadequadas de aproveitamento intensivo dos solos com o uso intensivo de maquinas equipamentos agrícolas; a utilização abusiva de agrotóxicos e fertilizantes; a ocupação desordenada, onde a área desmatada é duas vezes superior a área cultivada; a grilagem de terra;

Agronegócio E A Agricultura Familiar: Dois Pesos Duas Medidas

As pequenas propriedades, até 200 hectares, são responsáveis por 85% da produção de bananas; 78% do feijão; 60% do mamão; 92% da mandioca; 55% do milho; 76% do tomate; 72% do leite; 44% do arroz; enquanto que O Agronegócio produz para o mercado mundial. Produz para quem paga mais, sem se preocupar com a segurança alimentar.
No ano agrícola 2005/2006, o agronegócio recebeu 50 bilhões de reais, enquanto a agricultura familiar recebeu apenas 7 bilhões de reais, ou seja, os agricultores e agricultoras familiares que são muitos e muitas recebem muito pouco e produzem muito e os fazendeiros que são poucos recebem muito e produzem menos.

O Clamor dos Povos do Cerrado

Imersos neste degradante cenário de destruição do bioma do cerrado, onde o agronegócio busca ocultar o caráter concentrador e predador do latifúndio, do capital estrangeiro em nome de uma a produtividade voltada para atender os interesses do capitalismo neoliberal e os interesses da elite econômica e política do estado, os povos do cerrado clamam e propõe:

1. O Fim do Agronegócio, do Trabalho escravo e da degradação ambiental;
2. A criação de programas governamentais de conservação dos recursos naturais;
3. Créditos para a Agricultura familiar diversificada;
4. A Criação de reservas extrativistas nas áreas de populações tradicionais do cerrado e caatinga;
5. Punição para os responsáveis pelo trabalho escravo nas carvoarias e fazendas;
6. Programas de segurança alimentar que potencialize a agricultura familiar;
7. Fortalecimento e ampliação das redes de economia solidária da produção agrícola familiar;
8. Agilidade nos processos de desapropriação para fins de Reforma agrária e da regularização fundiária voltada para os agricultores/as familiares e camponeses/as.
9. Fiscalização do IBAMA em todas as áreas em que os Biomas vem sendo destruídos;
10. Desenvolver programas educacionais voltados para a cultura e políticas de convivência no cerrado, incluindo como disciplina curricular nas escolas públicas;
11. A execução do Programa Nacional de Conservação de uso sustentável do Bioma do Cerrado;
12. Auditoria nos processos de assentamentos através do crédito fundiário;

Somos Romeiros e Romeiras de fé e esperança:

Somos romeiros e romeiras, homens e mulheres do campo e da cidade, caminhamos com um só desejo, de proclamar que terra e as águas são sagradas. A vida da natureza, do cerrado e particularmente dos povos do cerrado, deve estar em primeiro lugar. Queremos construir o projeto de Jesus Cristo:“vida em abundância para todos, todas e tudo”. (cf. Jo 10,10).
A VIDA se manifesta no chão piauiense de múltiplas culturas e de biodiversidades, contrapõe com o sistema neoliberal e nos atribui a missão de promover a dignidade humana e a ecologia. O lucro, em detrimento da pessoa humana, submete os filhos e filhas de Deus a situações de exploração e marginalização. Os pobres e a natureza, em todos os lugares, são excluídos dos projetos de desenvolvimento implementados pelos governantes que agem a serviço da acumulação do capital das grandes empresas e corporações transnacionais. A “vida em semente”, em todo canto, nos impulsiona à ruptura com as estruturas capitalistas. A mãe terra, seus filhos e filhas e a irmã água clamam pela construção de uma sociedade sustentável.
A Reforma Agrária se faz necessária como caminho rumo à justiça social e à preservação ambiental. A concentração de terras, muitas dessas terras públicas e griladas, apropriadas pelos latifundiários e pelo agronegócio, de forma violenta e criminosa, provocaram a destruição da natureza, dádiva divina.
Nossa fé e esperança: “O Deus da vida enxugará toda lágrima dos nossos olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor. Sim! As coisas antigas desapareceram!” (Ap 21,4). Anunciamos que a luz e a força de Deus brilham em nós, as comunidades se recriam, onde são estabelecidas novas relações entre as pessoas e a natureza, onde emergem e se fortalecem as organizações e lutas populares no campo e na cidade.
Por esta razão é que caminhamos em romaria, na esperança de chegar a terra prometida, carregamos na mochila e no coração a esperança de que um dia no campo e na cidade, todos e todas terão terra, água e pão, terão acesso às políticas públicas de saúde, moradia, educação, lazer, assistência social e soberania alimentar. Eis a glória de Deus brilhando e caminhando conosco! Sigamos firmes romeiros e romeiras, fiéis ao projeto de Jesus Cristo libertador, em irmandade com os e as mártires da caminhada, façamos desta 10ª romaria da Terra e da água o grito firme e profético de que a terra e a água são fontes de vida e precisa ser respeitada, preservada, cuidada e repartida!

Objetivos da 10ª Romaria

OBJETIVOS
1. Ser instrumento de motivação, sensibilização, conscientização e articulação das
forças vivas da igreja e da sociedade, no campo e na cidade
2. Contribuir na educação política, na formação da cidadania, da consciência crítica
sobre a realidade e a necessidade de se lutar pela terra e pela água no Piauí.
3. Ser espaço de profecia: de denuncia e de anúncio sobre a situação dos cerrados piauienses.
4. Celebrar com fé, cultura e arte a caminhada das comunidades, fortalecendo o compromisso, a esperança e o sonho de conquista da “terra sem males”: onde haja “água no copo” e “pão no prato” de todas as pessoas.
5. Apresentar, apoiar e incentivar propostas concretas de políticas públicas que contribua e resolva de vez as problemáticas da fome e da sede e os conflitos de terra e de água no Piauí.
Eis o grito profético da 10ª Romaria da Terra: de anunciar o projeto de Deus, que é vida em abundancia para todos, e denunciar o que é contrário a este projeto, procurando recuperar este santuário, tornando a terra lugar sagrado, onde todos se sintam felizes e possam viver dignamente.
“Eu ouvi o clamor do meu povo” no Cerrado. Este é o lema da 10° Romaria da Terra e da Água do Piauí. Mostrando, de um lado, que o povo dos Cerrados clama em busca da preservação e valorização do seu espaço de vida; de outro, que Deus escuta a voz do seu povo, vem ao seu encontro e caminha junto em busca da libertação e da terra prometida.

História das romarias no Piauí

A Romaria da Terra e da Água já faz parte da história da Igreja no Piauí. São dezoito anos de caminhada do povo de Deus, rumo a terra e água prometida.
As Romarias da Terra e da Água do Piauí passaram a ser contadas a partir de 1988. Antes elas aconteciam como atividades diocesanas. Eis as nove romarias já realizadas no Estado, com seus respectivos temas e locais onde aconteceram:

Primeira: Tema: “Terra, água, justiça, clamor dos pobres”.
Local: Oeiras
Data: 09 de outubro de 1988.

Segunda: Tema: “Terra para plantar, terra para morar”.
Local: Teresina
Data: 02 de setembro de 1989.

Terceira: Tema: “Terra, água, trabalho, dons de Deus, direitos de todos”.
Local: São Raimundo Nonato
Data: 26 de outubro de 1991.

Quarta: Tema: “Repartir a terra e partilhar a vida”.
Local; Barras.
Data: 11 de setembro de 1993.

Quinta: Tema: “Conquistar a terra e construir a cidadania”.
Local: Bom Jesus do Gurguéia
Data: 29 e 30 de julho de 1995.

Sexta: Tema: “Terra concentrada, Vida encarcerada”.
Local: Esperantina
Data: 18 e 19 de outubro de 1997.

Sétima: Tema: “Terra repartida, Canteiro de vida”.
Local: Picos
Data: 25 e 26 de setembro de 1999.

Oitava: Tema: “Terra e Água; Nossa Morada, Nossa Vida”.
Local: União
Data: 27 e 28 de julho de 2002.

Nona: Tema: “Terra e Água, Fontes de Vida”.
Local: São Raimundo Nonato
Data: 31 de julho e 01 agosto de 2004.

Décima: Tema: “Terra é Fonte de Vida”
Lema: “Eu ouvi o clamor do meu povo” no Cerrado.
Local: Uruçuí, diocese Oeiras-Floriano.
Data: 20 e 21 de outubro de 2007.

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007

Celebração
Acolhida dos Romeiros e Romeiras que vão chegando em caminhada.

Terra e Água são fontes de Vida! Está é a convicção que nos trouxe aqui em uruçuí nesta X Romaria da terra e da água. A terra é um organismo vivo, seu sangue é a água. A água é a fonte da vida em todas as suas formas, vegetal, animal e humana. Hoje cresce a consciência de que ou defendemos o planeta e seus recursos naturais ou pereceremos junto com ele. Daí nossa luta no combate à contaminação das águas, à devastação da natureza e do cerrado por um lado, e o cuidado, o respeito ao equilíbrio ecológico e à preservação dos ecossistemas, por outro.
C.2 Entender a água como sangue da terra, e de todas as formas de vida, é opor-se à lógica do sistema capitalista neoliberal, que a vê unicamente como um bem a ser mercantilizado. A biodiversidade privilegia uma abordagem sistêmica, no sentido de que cada ser vivo é interdependente dos demais. Todos os seres vivos – humano, animal ou vegetal – interagem organicamente. Tudo o que prejudica um, tem conseqüências nocivas para os outros. E inversamente, defender determinada forma de vida é defender a vida no seu conjunto. O planeta inteiro é um grande ser vivo, em que os diversos ecossistemas necessitam uns dos outros para permanecerem igualmente vivos. Portanto defender e preservar a Vida no cerrado é defender e preservar a Vida do planeta.
C1. “Eu Ouvi o clamor do meu povo” no Cerrado, lema que nos dá a certeza de que esta romaria conta com a presença Libertadora de Deus entre nós. O mesmo Deus que viu o sofrimento, ouviu o clamor e desceu para libertar o povo no Egito, também vê nossa dor e sofrimento, ouve o nosso Clamor, no cerrado, caminha e luta com a gente na busca de terra, água, pão, justiça e Liberdade para todos e todas.

Estamos aqui diante da mesa Eucarística para celebrar a História de Deus na História da gente. Na história das tribos primeiras, raiz Ameríndia do povo da terra; da Terra sem Males, dos males da terra. Na História de luta e resistência dos pobres da terra e do cerrado, história de sangue e suor, sofrimento e esperança, permeada de conquistas e martírios; História teimosa de tanta bravura, vencendo os impérios do lucro e da morte. Na História de Deus feito gente na história. Na história da gente tornando-se Deus, na única História da terra e do céu. ( cf. Dom Pedro Casaldaliga , São Félix do Araguaia - MT).


De todos os cantos viemos para louvar o Senhor, Pai de Eterna bondade, Deus vivo e libertador, acolhemos os representantes de nossas dioceses, que com as cores que nos identificam como igreja povo de Deus, no Piauí, trazem a terra e o baner com o tema e o Lema desta X Romaria da terra e da água, bem como os celebrantes.

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007

Presença dos Bispos das Dioceses:
Picos, Oeiras/Floriano, Campo Maior, Bom Jesus, São Raimundo Nonato.

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007

tribuna livre

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007



Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007

Sala dos mártires

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007


romeiras e romeiro em visita à tenda

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007

Memorial da romaria, muita animação...

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007


Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007

Entrada da tendo, sonho de Deus, criação perfeita...

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007

Tenda da Romaria.

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007

Caravana do Cerrado

Romaria da Terra em Uruçuí 20 e 21-10-2007


Momento da acolhida das caravanas.

SEMINÁRIO
AGRONEGÓCIO
X
TRABALHO ESCRAVO.
DATA: 21 E 22/09/2007
LOCAL:Auditório do STR de Uruçuí

Apresentação:
Em meados da década de 90 a produção da soja tem inicio nas cidades de Uruçuí, Bom Jesus e Santa Filomena formando o chamado “triângulo do cerrado”. Com isso dá-se inicio ao chamado desenvolvimento e com ele a agricultura de exportação, com crédito subsidiado e a inserção de impostos. O chamado agronegócio.
O agronegócio tem utilizado em sua cadeia produtiva a mão de obra escrava na expansão dos campos agrícolas para a monocultura e pecuária de produtos comerciais. Extinguindo qualquer perspectiva de geração de empregos formais no local de origem.
O impacto produzido pelo desmatamento de grandes áreas tem uma relação negativa quando se levam em conta os direitos fundamentais do ser humano, entre eles terra e trabalho digno. Na perspectiva de entender e aprofundar essa discussão o Seminário Trabalho Escravo e Agronegócio será momento de formação da classe trabalhadora e de educadores populares para o fortalecimento de ações de combate ao trabalho escravo e a degradação da natureza